Gonçalo Paciência falou do irmão no Benfica e do sorteio com as águias

O sorteio da Liga Europa ditou um Benfica-Eintracht Frankfurt, convocando o retorno a Portugal de Gonçalo Paciência. Em entrevista a A BOLA, o avançado formado no FC Porto explica os festejos dos germânicos ao tomarem conhecimento de que seriam as águias o adversário nos quartos de final.

O sorteio dos quartos de final da Liga Europa colocou Benfica e Eintracht frente a frente. Contava regressar tão cedo a Portugal para jogar?

Já tinha pensado nessa possibilidade. Aliás, cheguei a imaginar que nos iria calhar uma equipa portuguesa antes desta etapa, fosse o Sporting, que só foi eliminado nos 16 avos, ou o Benfica, como agora se confirmou. Para mim, foi muito bom tomar conhecimento de que vou voltar a Portugal. Como bom português, é com enorme prazer que retorno a casa, não à minha casa futebolística, é um facto, mas ao meu país. O significado de poder passar uns dias em Portugal é fortíssimo e muito semelhante ao que se depara a qualquer português que esteja emigrado, seja futebolista ou não. Espero também sair feliz desta eliminatória, com um resultado que nos permita avançar mais uma etapa na Liga Europa.

O que espera deste Benfica?

Indiscutivelmente, vão ser dois grandes jogos, pela envolvência dos mesmos, por serem os quartos de final de uma grande competição europeia, por se realizarem em dois estádios fantásticos, tanto o da Luz como o nosso. Os dois clubes têm adeptos incríveis, loucos e fanáticos no melhor sentido, capazes de criar uma atmosfera eletrizante. Mais do que duas grandes partidas, estou convencido de que se vão tratar de dois espetáculos de qualidade superlativa.

Era o Benfica o adversário ideal ou preferia, por exemplo, que lhes tivesse saído em sorte o Slavia de Praga?

Nesta fase da prova, entre as equipas possíveis, a do Slavia será, porventura, a que possui menor renome internacional, o que não equivale a dizer que tem menos categoria ou que é mais fraca, pois chegar aos quartos de final requer qualidade, competência, virtuosismo. A diferença maior é que quase todas as outras equipas ainda em prova vieram da Champions League, o Benfica inclusive. Pela qualidade e potencial exibidos pelo Benfica, não era, não é, não será, seguramente, o opositor mais agradável para o Eintracht. Além disso, o Benfica é um grande clube em Portugal e também um histórico a nível internacional, com várias finais e troféus já conquistados, presença praticamente assídua na Champions League… Não tenho dúvidas de que vamos sentir muitas dificuldades. Em termos pessoais, foi como lhe disse: fiquei extremamente contente por poder jogar em Portugal.

Mas aquela festa que o Gonçalo filmou e depois publicou nas redes sociais, feita pelos jogadores do Eintracht no autocarro ao tomarem conhecimento do resultado do sorteio para os quartos de final, significou o quê?

Aquilo foi somente um momento de felicidade que senti e ao qual os meus companheiros se associaram, porque há muito dizia no balneário que adorava defrontar um clube português. Foi escrita e dita muita coisa, houve quem tivesse encarado essa manifestação da equipa como uma qualquer celebração antecipada, do género de já estarmos todos a fazer planos não para os quartos, mas para meias-finais. Enfim… Falou-se também em falta de respeito para com o Benfica. Nunca, repito, nunca foi essa a intenção. Quem me conhece sabe bem que em momento algum iria desrespeitar uma instituição como a do Benfica ou qualquer outro clube português. Não jogo assim – sempre jogo limpo e de forma honesta. Aconselho as pessoas a experimentarem a vida de emigrante e depois que me digam como se sentem por saber que vão voltar a casa? E até digo mais: se o Flamengo participasse nas competições europeias também ficaria feliz, porque o Rio de Janeiro, como Lisboa, são grandes destinos, a envolvência emocional é que seria menor, porque o meu país é Portugal e não o Brasil. Longe de mim melindrar os benfiquistas, os portugueses, ou menorizar o Benfica. Ainda por cima, o Benfica vive um momento fabuloso e vai provocar-nos imensos embaraços. Para chegarmos às meias-finais vamos ter que trabalhar, lutar e jogar muito, bem mais do que o Benfica, que pratica grande futebol e obriga a que qualquer adversário atue nos limites, sem que isso seja prenúncio de sucesso por parte da equipa que assume a condição de adversário do Benfica.

No passado mês de janeiro, Vasco Paciência, formado no FC Porto, deixou o Boavista e mudou-se de armas e bagagens para o Seixal, para representar a equipa de juniores do Benfica. Gonçalo Paciência, o irmão mais velho, falou sobre a escolha do jovem avançado de 19 anos.

Diga lá a verdade, Gonçalo: agora, além de portista, também possui, ou não, uma costela benfiquista?

Eu, benfiquista?! Ah!, por causa do meu irmão, Vasco [risos]…

Precisamente.

Quero que ele tenha todo o sucesso do mundo e se for pelo Benfica também aqui estarei para o apoiar e felicitar. Jogue o meu irmão onde jogar, quero é que ele ganhe sempre, como queria que o meu pai ganhasse quando treinava o SC Braga, o V. Setúbal, a Académica, o Sporting. O meu irmão sabe que, esteja onde estiver, estarei incondicionalmente a apoiá-lo.

Surpreendido com a escolha feita, em janeiro, pelo seu irmão, ele que tinha iniciado a época no Boavista e também tinha o Ajax interessado nos seus serviços?

O meu irmão ainda está numa fase diferente, ainda de júnior. Chegou há pouco ao Benfica, está a cumprir uma inevitável fase de adaptação e ambientação a uma nova realidade, agora que está de regresso a um grande clube. Tem muita qualidade e não fiquei surpreendido com a cobiça que gerou no mercado de inverno. Há jogadores que atingem a maioridade mais tarde, mas ele está já a dar esse salto. Aquilo que alguns achavam que ele não tinha ou, simplesmente, o que as pessoas não viram, ele está a provar que tem. Se escolheu o Benfica, foi porque ele, os meus pais e quem gere a carreira dele – precisamente as mesmas pessoas que gerem a minha e à empresa Proeleven só tenho mesmo de agradecer por tudo o que tem feito – entenderam que era o melhor. E eu não posso estar mais de acordo.

Como recebeu a família Paciência a notícia de que um dos seus elementos iria representar o maior rival do FC Porto, clube ao qual estiveram pai e filhos longos anos ligados?

Não vou mentir e dizer que foi normal, porque não foi. Recebemos com grande agrado a notícia, porque o Vasco tinha saído do FC Porto para o Boavista e trabalhou imenso para conseguir voltar a um grande. Os jogos que realizou no Boavista e o valor que exibiu deram-lhe oportunidade de reaparecer numa grande equipa como a do Benfica, que nos últimos anos tem lançado muitos jovens cheios de qualidade. Sabemos que no Benfica vai evoluir muito e será bem preparado para enfrentar os desafios como profissional e sénior. No Benfica, tratam-no bem. E, seja onde for, vou estar do lado dele.

Não se impôs no Benfica mas está a dar cartas na Alemanha, onde representa o Eintracht Frankfurt por empréstimo das águias. Luka Jovic, um dos nomes do momento no futebol europeu, tem Gonçalo Paciência como companheiro de equipa no clube germânico. Em entrevista a A BOLA, o avançado português falou sobre o jovem sérvio.

Afinal, quem é Jovic?

É um fenómeno, é um craque, tem uma qualidade tremenda. Não há muitos jogadores como ele. Vai sair no final da época e será um avançado de elite. Ele é muito forte, muito rápido e à frente da baliza é mortífero. É um privilégio estar todos os dias com ele, aprender e desfrutar com o que ele faz. Tanto ele como todos os outros avançados da minha equipa poderiam ser um entrave para mim e para a minha afirmação, mas não olho para o futebol dessa forma. Ele são bons, mas eu também sou. A prova disso é que tenho agora deixado a minha marca.

Mas por que razão Jovic não mostrou todo esse valor enquanto esteve no plantel do Benfica, clube ao qual ainda está vinculado?

Também eu, no começo, me questionei muitas vezes sobre isso: como foi possível o Benfica não ter aproveitado tamanho jogador? Mas ele explicou-me porquê: disse que a culpa foi dele e não do Benfica nem de quem o treinou. Disse-me que, no Benfica, era muito maluco e que muitas vezes lhe parava o relógio. Mais maduro e com mais experiência, está a explodir e não me choca nada que o Barcelona queira pagar 60 milhões de euros por ele. No futebol de hoje, fala-se em tantos milhões, em quantias astronómicas… E, atendendo aos valores que se praticam, pagar 60 milhões por Jovic não é loucura.

Jovic está para o Benfica como o Gonçalo esteve para o FC Porto, isto é, também é longe do Dragão que lhe parece ser reconhecido o valor?

Com uma diferença: no FC Porto eu não era maluco [risos]… O FC Porto é algo do meu passado. Tenho que me agarrar ao presente e ao Eintracht. Espero ter aqui o sucesso que o Jovic está a ter. No FC Porto não foi aquilo com que sempre sonhei. Quando não dá por um lado, temos que ir pelo outro, tentar afirmar-me e fazer o meu trabalho. O futuro encarregar-se-á de dizer o restante…

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