Bruno Lage admitiu conhecer o adversário ao máximo

O treinador do Benfica, Bruno Lage, e o central Ferro projetaram o decisivo jogo com o Dínamo Zagreb da 2.ª mão dos oitavos de final da Liga Europa, em conferência de Imprensa no Caixa Futebol Campus. As águias perderam por 1-0 na Croácia e, a partir das 20h00 de quinta-feira no Estádio da Luz, vão atacar a décima reviravolta europeia em casa.

As águias, como o treinador vincou à BTV e também na conferência de Imprensa de antevisão realizada no Caixa Futebol Campus ao início da tarde de quarta-feira, estão empenhadas em corrigir a derrota sofrida em Zagreb e reservar lugar no sorteio de sexta-feira, de definição dos alinhamentos dos “quartos” e das “meias” da competição.

O que é que o Benfica tem de fazer de diferente para corrigir a desvantagem na eliminatória?

Temos de fazer o que fizemos nos primeiros 30 minutos de Zagreb e o que temos vindo a fazer no Campeonato. Jogar bem, criar oportunidades de golo e dar a volta ao resultado. Não quero estar a falar muito do jogo da primeira mão, mas, em Zagreb, criámos a primeira oportunidade de golo, estivemos muito bem nos primeiros 30 minutos. Ao contrário daquilo que o treinador do Dínamo pensa, conhecemos ao detalhe todos os nossos adversários. O trabalho dos treinadores é conhecer os adversários ao máximo e depois, em função do que são as competições, definir o melhor onze para jogar. Foi o que fizemos. Com a lesão do Seferovic, o nosso plano de jogo ficou um pouco condicionado. Posto isto, o que temos de fazer é continuar no nosso caminho, a jogar bem, com qualidade, porque só assim podemos dar alegrias aos Sócios; jogar bem e ir à procura de vitórias, é isso que vamos tentar fazer também amanhã [quinta-feira], em busca de um resultado que nos permita passar a eliminatória.

Bruno Lage

Perdeu Seferovic, que se lesionou na 1.ª mão, mas na manhã desta quarta-feira já vimos Fejsa no relvado a treinar com a equipa. Ganha uma solução numa fase com muitos jogos…

Todos os jogadores são importantes e ainda falta recuperar alguns. Por vezes as pessoas confundem rotatividade e gestão de esforço… Não, é gestão de plantel e em função disso perceber que temos jogadores de 20 anos, de 25, outros de 30… O mais importante é identificarmos o que cada um deles pode dar à equipa e definir a estratégia e o melhor onze. Há jogadores que recuperam melhor, outros pior… Quanto mais jogadores tivermos disponíveis, melhor será para darmos sempre uma resposta competente de três em três dias. É a nossa ambição, estar sempre presente e vencer.

O Dínamo Zagreb está em vantagem na eliminatória. Espera um adversário mais à defesa, a segurar o resultado?

Não, acredito que vai ser igual ao que vi na 1.ª mão, um Dínamo compacto, a tentar bloquear e a pressionar ao máximo os nossos médios, a tentar controlar o nosso jogo interior, e depois na expectativa de sair e tentar apanhar-nos desequilibrados. Foi o que vi em Zagreb e é o que espero para amanhã [quinta-feira]. Está a vencer por 1-0, sabe que não é um resultado seguro, mas não prevejo grandes alterações em relação ao jogo que fizeram lá. Nós é que temos de fazer melhor exibição e ir à procura do resultado que nos permita seguir em frente.

Bruno Lage

O Campeonato é o objetivo número um. Vai adotar a rotatividade do plantel ou vai apostar no melhor onze?

Quando se diz “aquela rotatividade” até parece que se está a fazer alguma coisa fora do normal. Nós não fazemos rotatividade, fazemos uma gestão normal do plantel. Porque estamos numa dinâmica de jogos de três em três dias ou apenas dois dias e meio, como vai acontecer entre este jogo com o Dínamo e a partida de domingo. Temos de estar preparados para isso, escolher um onze que dê garantias para vencer todos os jogos. É verdade que, quando as coisas não correm tão bem como sucedeu na Croácia, vocês fazem questão de dar uma certa dimensão, e quando corre tão bem como na Turquia passam um bocadinho ao lado. O lado de cá tem de tomar decisões antes de as coisas acontecerem; o vosso lado é sempre mais fácil, porque é fazer uma análise do que aconteceu.

Bruno Lage

“Quantas vezes é que Ody e Rúben estão associados a momentos muito positivos?”

Mantém a confiança em Odysseas e Rúben Dias depois do jogo com o Belenenses?

O futebol é um jogo onde se erra muito, por vezes mais do que se acerta. O Ody e o Rúben tiveram erros tremendos que deram golos, é um facto, mas e o contrário? Quantas vezes é que eles estão associados a momentos muito positivos? É usar a balança e perceber isso. Tenho aqui um registo do que fazemos… O Rúben não precisa de defesa, porque ele é um homem… É um jovem internacional que, quando as coisas acontecem bem, vai para ali ou para acolá, dito por vocês. Mas quando as coisas correm mal, é o Rúben que tem 11, 12 ou 13 erros que já custaram pontos à equipa… Tem de haver equilíbrio nas análises. O Rúben, em termos físicos, tem andado acima da média em todos os jogos. Os erros acontecem a todos. Diga-me um central que ainda não passou uma bola curta a um guarda-redes e que deu golo; diga-me um guarda-redes que ainda não viu uma bola assim [como a do jogo com o Belenenses] dar golo… Aqui, o básico é eles correrem, trabalharem, quererem ser equipa. Tenho falado no Jonas, mas vocês estavam na dúvida… Ele correspondeu, correu 90 minutos, parecia um jovem de 18 anos; trabalhou e lutou para a equipa, e colocou-nos em vantagem no jogo [com o Belenenses]. O que tenho visto é isto: 20 e tal jogadores a correr, disponíveis, a querer formar uma equipa, que fizeram uma recuperação fantástica. Mais ninguém sofre tanto como eles quando erram. É seguir em frente. Esta mentalidade é que faz a diferença na carreira dos jogadores e dos treinadores.

Bruno Lage

Os portugueses têm muito o luto do insucesso. Senti isso quando cheguei a Inglaterra: a derrota carrega-nos muito. Lá, é sempre a andar. Keep going, let’s go… seguir! Tive de adaptar-me nos primeiros meses. É uma coisa cultural, uma perspetiva diferente de olhar para o insucesso, mas não é só no futebol, é também na sociedade. Fizemos bem, jogámos bem, fizemos o nosso melhor, a seguir temos outro jogo. É esta a mentalidade que quero incutir aqui. Ser cada dia melhores, treinar muito bem e andar para a frente. Perceber onde é que errámos, continuar a evoluir e dar uma boa resposta amanhã

[quinta-feira]

, à imagem do que temos vindo a produzir.

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