Sokota e o arrependimento da mulher em sairem do Benfica

Antigo avançado de Benfica (2001 a 2005) e FC Porto (2005 a 2006), e quase do Sporting, abre o coração para falar do Dínamo Zagreb-Benfica. Entrevista a Tomislav Sokota para ler na edição desta terça-feira de A BOLA.

– Segue com interesse o futebol português?

– Claro. Fiquei muito feliz por Dínamo e Benfica jogarem na Liga Europa. As emoções e as recordações voltaram. Passei anos bonitos em Portugal, mais no Benfica porque joguei e senti-me importante. É bonito viver estas sensações. Vou a Lisboa com a família, a minha mulher, o meu filho e a minha filha, vamos lá ficar cinco dias para ver o jogo.

– Viu o FC Porto-Benfica?

– Sim. O Benfica está melhor, numa boa fase, gosto do meio-campo do Benfica, do Samaris e do Gabriel. Está uma equipa bem equilibrada. Dos centrais ao ataque. Sente-se que os jogadores estão unidos, num bom nível e pode chegar muito longe. Contra o Dínamo não vai ser fácil, porque também está num bom nível. Hajrovic (extremo) e Ademi (médio defensivo) não vão jogar porque estão lesionados. São bons e vai ser mais difícil para o Dínamo. Vai ser um bom jogo e o estádio vai ser um vulcão.

– Conhecia o João Félix?

– Não. Foi a primeira vez que o vi jogar. É um grande talento, mas precisa de ficar no Benfica e não sair tão jovem. Isso não é bom. Precisa de mais anos no Benfica e crescer como jogador. Aqui, na Croácia, falta sempre qualquer coisa aos jogadores que saem com 17 ou 18 anos.

– Como estão a olhar aqui na Croácia para o jogo entre o Dínamo e o Benfica?

– Olham para o Benfica como um grande clube, mas todos acreditam que o Dínamo vai ganhar.

– Quais são os pontos fortes e fracos do Dínamo?

– É uma equipa jovem, está num bom momento. Joguei com Bjelica, treinador do Dínamo, no Euro-2004, em Portugal. É inteligente, fez uma boa equipa. Vai ser uma grande equipa.

– Vai torcer por quem?

– Sou do Dínamo, mas o Benfica vai ficar sempre no meu coração. Passei lá anos lindos.

– Foi para o Benfica com 24 anos. O que sentiu quando ouviu falar do interesse do Benfica?

– Primeiro, antes de ir para o Benfica, fui fazer exames médicos ao Sporting. Estive lá, passei os exames, estava tudo bem, só que qualquer coisa, entretanto, correu mal, talvez com os empresários. E já tinha camisola e tudo. E eu disse: ‘Esta cidade é um espetáculo.’

– Qual a sua opinião de Luís Filipe Vieira?

– Tudo bem. Foi muito correto comigo. Quando estava a voltar de uma lesão, lembro-me de que ele foi ver um jogo da equipa B. Foi sempre muito correto. No fim, perdemos confiança uns nos outros. Quando foi a renovação alguma coisa correu mal. E, no fim, fiquei sem clube. Havia o interesse do FC Porto e fui para lá.


– Foi fácil assinar pelo FC Porto?

– Não, não. Isso foi muito difícil.


– Porquê?

– Porque gostaria de ter ficado no Benfica. E a minha mulher, Emina, nunca me perdoou. Gostava de Lisboa, da nossa vida lá.


– E o que gostavam de Lisboa?

– Tudo. Todos os dias sol, aquela comida, as pessoas cheias de alegria. Ainda hoje tenho lá muitos amigos. Do clube, também. Entrei numa boa fase, de mudança e crescimento. Passei tempos muito bonitos. Mas tinha de tomar uma decisão.


– O FC Porto era muito diferente do Benfica?

– Era.


– Porquê?

– Porque naquela altura o FC Porto tinha acabado de ser campeão da Europa. Toda a gente dizia que eram mais organizados, estava tudo à volta do clube. O Benfica não estava tão fechado. O FC Porto é muito fechado. Não sai nada. O que está lá dentro não sai. No Benfica, naquela altura, falava muita gente, havia pessoas más à volta do clube, sempre algumas guerras. No FC Porto o presidente já lá estava há mais de 20 anos. Estava tudo muito controlado.


– Gostou de Pinto da Costa?

– Sim. É uma pessoa correta. As palavras dele são certas. E teve resultados.


– Qual a diferença de mentalidade competitiva, na altura, entre os clubes?

– O FC Porto tinha emoção, mas não como o Benfica. No FC Porto parecia tudo mais militar, sai um jogador entra outro, só interessa resultado, resultado. O Benfica tinha os sócios, aquilo à volta do clube… mais amor. É difícil explicar. São diferentes. Não posso dizer que não senti apoio no FC Porto. Senti. Mas no Benfica joguei, senti-me importante e isso torna tudo diferente.


– Sente muitas saudades de Portugal?

–  Sim, muitas. De tudo. Da comida.

– Gostava de acrescentar alguma coisa que não lhe tivéssemos perguntado?

– Não sei. Estou feliz por saber que para a semana vou a Lisboa, com a minha família, por sentir esta emoção do Benfica outra vez. Não foi fácil sair do Benfica, a minha família não quis. Mas não podemos controlar tudo. Depois, no FC Porto, não consegui jogar nem mostrar o que podia. Tive muito azar. Mas, enfim, gostei de viver em Portugal. Fico feliz e orgulhoso por ter jogado nestes grandes clubes e por ter encontrado lá grandes jogadores. O Benfica convidou a minha família para ir a Lisboa ao jogo. Sinto que sabem que sou um pouco mais benfiquista do que portista.

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