Rui Vitória em entrevista na TVI após saída do Benfica

Rui Vitória concedeu, na noite deste sábado, a primeira entrevista após a saída do comando técnico do Benfica, no passado dia 3 de janeiro. O ex-tecnico das águias confessou na TVI que se sente «magoado» com alguns aspectos ao longo dos últimos três anos e meio.

«Correu muita coisa bem e ao fim de três anos e meio terminámos este ciclo. Houve aspetos menos positivos mas acho que os positivos têm de prevalecer neste momento. O que acabámos por fazer deixa-me um grande orgulho a mim e também deixou os benfiquistas felizes na altura…

– Tentámos levar este barco a bom porto, houve vontade das duas partes para que isso acontecesse mas nesta parte final houve um grande desgaste. Com ninguém em particular, um desgaste generalizado. Coloquei o lugar à disposição e deixei o presidente à vontade para decidir como quisesse», começou por dizer o treinador, agora no Al-Nassr, que diz não ter sentido apoio da direção na fase final do seu ciclo no Benfica.

«Nesta fase final não senti tanto. Em determinados momentos houve uma maior influência vinda do exterior e senti-me mais sozinho. Muitas vezes tinha de estar em conferências de imprensa a responder a situações que não eram as que mais importavam para a equipa e, em virtude disso, surgiu o desgaste com os sócios. Do ano passado para cá houve menos união e isso para um treinador é importante. Houve uma série de circunstâncias à volta da equipa que fizeram com que o clube perdesse o foco do futebol. Aqueles jogadores têm de ser protegidos e o momento mais importante na semana de um grande clube serão sempre os 90 minutos.»

Famosa ficou a tirada de Luís Filipe Vieira a 29 de novembro, quando decidiu voltar atrás na decisão de despedir Rui Vitória e segurar o treinador após a copiosa derrota, por 1-5, em Munique. Numa mensagem para dentro, o líder das águias disse que um clube como o Benfica não podia jogar um futebol «lento, lento, lento». Tirada que teve, este sábado, o parecer do antigo treinador das águias.

«Foi um desabafo genuíno do presidente e tem todo o direito em dizê-lo, mas eu não tenho essa convicção. Diz-se isso mas quando eu saí o Benfica era a equipa com mais golos marcados no campeonato, por exemplo. É uma falsa questão. O benfiquista habituou-se a ganhar e tem menos tolerância. Saí magoado com alguns momentos… Houve alturas muito boas mas agora no fim já não havia um ambiente nada agradável», analisou Vitória na TVI.

Com contrato assinado com o Al Nassr, Rui Vitória parte para a Arábia Saudita com a certeza de que irá medir forças com Jorge Jesus, que está a treinar o Al Hilal.

«Não falei com ele. Nesta altura isso foi pouco importante. A minha decisão nunca seria colocada nesse prisma. A decisão foi tomada em função da proposta. Isso não pesou, de todo. Andamos nesta vida, se tivermos de nos encontrar, encontrar-nos-emos», referiu em entrevista à TVI, onde comentou o projeto que vai abraçar no futebol árabe:

– Foi uma oportunidade para voltar novamente ao ativo. As pessoas no Al Nassr mostraram uma grande vontade que eu fosse representar o clube. Houve um esforço, não só financeiro, e isso incentivou-me. Fez com que olhasse para esta oportunidade exatamente como ela é – uma boa oportunidade.

Sobre o facto de a primeira experiência no estrangeiro ser na Arábia Saudita: «Não tenho um objetivo previamente definido de treinar aqui ou ali. Irei para qualquer lado. Esta foi uma situação muito objetiva, as pessoas queriam que eu abraçasse o projeto, fizeram esse esforço e deram-me condições para eu impor as minhas ideias. Isso foi um acrescento a este convite.»

Sem revelar os valores do contrato, explicou que a duração do contrato (ano e meio) serve para dar «alguma segurança»: «Se achar que há condições para continuar, renovamos. Caso contrário, pensaremos noutra situação. As pessoas não quiseram só comprar o trienador, quiseram comprar o know how da minha equipa técnica.»

O antigo treinador do Benfica não fecha a porta a um possível regresso à Luz. E até noutras funções que não a de treinador…

«Eu sou profissional de futebol, com o Benfica o ciclo acabou agora. Quis dar esta entrevista para o encerrar. Agora o futuro a Deus pertence. Sou treinador, faço isto com paixão mas admito claramente voltar até noutras funções. São áreas de que gosto, ter uma visão alargada daquilo que é a dinâmica que um clube tem de implementar, os aspetos organizacionais… Mas agora o futuro é treinar na Arábia.»

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