Luís Filipe Vieira falou das suas origens e do Benfica no “Programa da Cristina”

Luís Filipe Vieira foi, esta segunda-feira, o primeiro convidado do “Programa da Cristina”, da SIC. O Presidente do Benfica mostrou o homem que existe por detrás do cargo que ocupa há mais de 15 anos, numa conversa que muito girou à volta do novo treinador dos encarnados. “Na próxima semana as coisas vão clarificar-se”, prometeu.

Luís Filipe Vieira

Quem vai suceder a Rui Vitória?

“As pessoas ainda vão ter muitas saudades dele. Saiu porque achou que, naquele momento, não era a solução no Benfica. Pôs o lugar à disposição e foi uma saída muito pacífica. Neste momento a única hipótese que existe é Bruno Lage. Nunca poderei dizer o futuro e todos gostariam de estar no Benfica. [Jorge Jesus?] É meu amigo. Não viu agora, não sei quantos treinadores apareceram para o Benfica. Ainda ontem falei com o Júlio Mendes [presidente do Vitória de Guimarães] por causa de Luís Castro. Nunca houve interesse em nenhum dos treinadores que têm estado aí… Na próxima semana as coisas vão clarificar-se e os Benfiquistas podem ter a certeza que vão ter um treinador.”

Bruno Lage e o projeto

“Já o conheço há muito anos e teve uma boa prestação [como treinador da equipa principal do Benfica]. Vai continuar, ainda hoje estivemos a falar numa reunião, mas a decisão final vão tê-la na próxima semana. Se Bruno Lage tem perfil certo? Sim. Temos um projeto e não queremos, a meio, alterar o percurso. Todo o investimento e sucesso do Benfica vai passar pela formação do Caixa Futebol Campus. O Benfica não se pode desviar disso.”

José Mourinho?

“É meu amigo. Não falei com ele e só vão saber a decisão para a semana. Não há treinadores de sonho. Os treinadores com que temos de sonhar são aqueles que nos poderão garantir resultados e há um ou outro que sabemos que nos vão garantir resultados. Mas quem não gostava de ter o Mourinho? Se ele disser amanhã que sim, vem logo. O dinheiro não é um problema para o Benfica neste momento. Se viesse um José Mourinho para o Benfica, em vez de termos 27 jogadores só tínhamos 20. Isso resolve-se sempre.”

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O Caixa Futebol Campus

“O Seixal é o orgulho dos Benfiquistas. Ainda não o acabámos… Vamos ainda criar expansão: mais seis campos de futebol, uma unidade hoteleira, um colégio aberto ao público – o colégio internacional do Benfica –, mas principalmente para os nossos jovens. Vai ser obrigatório estudar lá e vai-nos distinguir em relação à nossa concorrência. Fizemos profundas alterações. Há quem diga que os quartos são cinco estrelas, mas eu também acho que isso cria uma responsabilidade muito grande aos atletas.”

A chegada à presidência

“Nunca sonhei ser presidente do Benfica, ao contrário do que dizem. Frequentei o Estádio da Luz na pendura dos elétricos – na altura não havia dinheiro para ir ao Estádio – e lá conseguia escapar-me para entrar graciosamente. Houve uma pessoa que me disse ‘Luís, tens de ir para o Benfica, tens de te candidatar porque temos de salvar a melhor marca deste País’. Entretanto, falei com o Manuel Vilarinho, que também ia concorrer, e resolvi não concorrer porque o Manuel dava-nos garantias, tinha capacidade para derrotar o presidente [Vale e Azevedo] daquela altura. Passados uns meses foi o Manuel Vilarinho que me ligou a dizer que eu tinha de ir ajudá-lo e, a partir daí – que era uma coisa transitória –, já lá vão 18 anos.

Cadeira de sonho?

“Há coisas que eu não percebo. Há pessoas que me dizem que a posição que ocupo é mais importante do que a do Presidente da República e eu nunca o encarei como um lugar de poder. Não me considero um homem poderoso. Acho que os Benfiquistas não olham para mim pelo poder, podem, sim, admirar-me pelo trabalho que tenho desenvolvido ao longo destes anos, em conjunto com eles, obviamente. Quando cheguei ao Benfica consegui retirar a palavra ‘eu’ e passar a ‘nós’… Só assim chegámos onde chegámos. Conseguimos alavancar o Benfica de uma fase horrível, sem credibilidade nenhuma.”

Museu

Emoções, paixões e a obra feita

“Vivi e vivo o Benfica de uma forma muito intensa. Assumi um compromisso com os Benfiquistas que é levar uma determinada obra até ao fim e acho que vou conseguir fazê-lo, com a ajuda de todos. Com momentos menos bons também… As pessoas vivem muito as emoções e as paixões e às vezes têm reações que nem deviam ter. Não podemos, debaixo de um mau resultado, dar a ideia de que temos de caminhar para um suicídio quando tudo o que fizemos para trás foi bem feito, tudo planeado e elogiado por tanta gente. Vou dar um exemplo: ainda ontem, no final do jogo, as pessoas gritaram o meu nome de uma forma que não deviam ter feito. Magoou-me. Eu não tenho de dar provas a ninguém da obra que está feita, de uma casa que não existia e foi transformada no mundo que é hoje, uma casa que não pagava salários e que hoje paga a tempo de horas, com um enorme património.”

Liderança, pessoas simples e coisas extraordinárias

“Um líder é uma pessoa simples que consegue fazer coisas extraordinárias. Acho que dentro deste país têm sido as pessoas simples a fazer coisas extraordinárias. Temos o exemplo do Presidente da República, a maneira como – falemos em termos empresariais – gere o nosso mundo de uma forma tão simples, e a unanimidade está à volta dele. Se calhar no Benfica, por ser muito simples, por falar a linguagem dos Benfiquistas – porque o Benfica é o povo –, as pessoas olharam sempre para mim dessa maneira. Por isso é que eu ganhei quatro eleições com 90 e tal por cento…”

Comandar até quando?

“Para já assumi um compromisso de me candidatar mais uma vez, depois tenho de avaliar como vai ser o resto da minha vida porque nessa altura estarei com 70 e poucos anos.” 

E qual é o segredo?

“O trabalho! Aquilo que prometo, faço e fazemos. O Benfica está estruturado já para o futuro, ou seja, quando sair do Benfica, quem vier a seguir só tem de seguir os passos que temos dado. A obra está feita, em termos de infraestruturas, a única que nos faz falta é a das ditas modalidades amadoras – que são profissionais –, que é o CAR [Centro de Alto Rendimento] que vamos fazer em Oeiras.”

Bairrista puro

“Nunca poderei esquecer as minhas origens. Sou bairrista puro. Foi ali [Bairro das Furnas] que fui criado, que brinquei, que estudei, que fiz grandes amigos. Até à morte do meu pai ia muitas vezes ao Bairro, onde está a minha génese. As pessoas eram muito unidas, muito chegadas…”

A família

“Conheci a minha mulher a fazer uma cobrança pelo telefone. Casámos a 23 de agosto de 1974. Estou há muitos anos com a mesma mulher e vai acabar assim. Não me via hoje a viver sem a minha mulher. Desta ‘brincadeira’ toda nasceram dois filhos e cinco netos.”

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