Vinda de Gabriel para o Benfica tem a ver com… títulos

Está na primeira temporada no Benfica e já conquistou espaço na equipa de Rui Vitória, com um total de nove jogos oficiais, seis deles a titular. Numa extensa entrevista ao jornal “Record”, Gabriel, médio brasileiro de 25 anos, fala – entre muitos outros temas – sobre o atual momento da formação encarnada e mostra confiança no futuro.

Como têm sido estes primeiros meses no Benfica? A adaptação foi fácil?

Estes primeiros meses aqui têm sido muito bons. A equipa recebeu-me muito bem e isso foi importante para mim. Ainda estou num período de adaptação, mas tem corrido tudo muito bem. O grupo é excelente e não tenho nada a apontar. Fui muito bem recebido por eles, foi assim com todos. Houve logo uma proximidade boa, foram todos excecionais.

Estava à espera de encontrar esta realidade no Benfica?

Imagino sempre o melhor, ainda mais falando de um clube gigantesco como o Benfica. O ambiente do Clube surpreendeu-me muito pela positiva e também gostei muito do facto de ter sido bem recebido. Esperamos sempre que as coisas sejam boas, mas não tão boas como aconteceu comigo aqui. O ambiente é muito bom e gosto especialmente do facto de falarmos sobre conquistar títulos. Para mim é uma coisa nova, mas é algo que sempre almejei na minha carreira.

Chegou a conversar com os dirigentes do Leganés para tentar convencê-los a vir para o Benfica?

Durante todo esse período tivemos, no mínimo, cinco reuniões num mês. Fui sempre muito sincero, todos conhecem a grandeza do Benfica e o salto do Leganés para aqui é muito grande. Mas todos os jogadores almejam. Fui apenas sincero com eles para que entendessem o meu lado e facilitassem a minha saída. Sei que devem ser oferecidos ao Benfica milhões de jogadores e ficar todo aquele tempo à minha espera cativou-me bastante. Senti que, realmente, estavam à minha espera e não de outro jogador. Fico muito agradecido por essa espera e pela paciência.

Gabriel

Quais foram as maiores diferenças que encontrou entre o futebol espanhol e o português?

Talvez o ritmo de jogo. Em Espanha os jogadores têm um toque de bola mais pausado, não é tão intenso. Aqui, as equipas são muito abertas, atacam e defendem de forma muito direta. De resto, não houve uma mudança assim tão drástica, continua a ser futebol.

No Leganés, porventura, tinha essa mentalidade mais conservadora quando defrontava equipas como Barcelona ou Real Madrid…

Nesses jogos, em particular, tínhamos esse pensamento de que a vitória era muito difícil, ainda mais quando jogávamos em casa deles. Tínhamos essa mentalidade mais defensiva. Aqui em Portugal a mentalidade dos clubes é muito mais aberta. Uma equipa pode perder por quatro ou cinco golos, mas pelo menos tenta e vai para cima do adversário.

No Benfica, como tem sido a luta pela titularidade?

É o mais saudável possível. É uma luta que só vai levantar o nível técnico na equipa e é muito bom para todos. Eleva o nível do Benfica porque o mais importante é que os 11 titulares e os suplentes possam dar o melhor ao Clube.

Como é que tem sido a experiência de trabalhar com o treinador Rui Vitória?

Ele tem comentado comigo algumas coisas que quer que eu melhore, que eu faça. Aos poucos, vamo-nos adaptando. Ainda estou a habituar-me a um estilo de futebol diferente e aos novos companheiros, mas, com tempo, vou-me encaixando.

O que é que sentiu quando Rui Vitória o chamou para entrar em campo frente ao Bayern Munique, naquela que foi a sua estreia na Liga dos Campeões?

Foi emocionante. Sentir aquele ambiente e ouvir o hino da Champions já foi especial, mas o facto de ter entrado foi ainda melhor. Senti-me muito bem e emocionado por ter realizado um sonho.

Acredita no apuramento para os oitavos de final?

Não vamos deixar de lutar, porque não vamos entrar em campo a pensar noutra coisa que não a vitória. Temos de pensar num jogo após o outro e o nosso trabalho tem de ser sempre feito dessa forma.

Gabriel

Esteve quase a marcar no jogo com o Ajax, mesmo no último lance. Como é que se sentiu sabendo que tinha no pé esquerdo a possibilidade de dar a vitória à equipa?

Foi mesmo uma situação complicada porque aquele lance era decisivo e poderia ter mudado toda a história do jogo. Pensei muito sobre o lance depois do jogo e também no dia seguinte, mas não posso ficar refém de um lance no futebol, caso contrário as coisas não andam para a frente. Não vale a pena olhar para trás e chorar sobre o leite derramado. Podem ter a certeza de que ninguém ficou mais triste do que eu, mas quem está em campo está sujeito a estas situações. Agora, temos de pensar no próximo jogo e que no próximo marque um golo que possa ajudar o Benfica.

Depois do empate (1-1) com o Ajax no Estádio da Luz, o Benfica venceu em Tondela (1-3) na 10.ª jornada da Liga NOS…

Foi importante para a equipa, para que pudéssemos encontrar a nossa confiança. Podíamos tê-la perdido com esses resultados, mas essa vitória em Tondela foi muito importante. Agora descansámos nestes dias para voltar melhor e mais relaxados à procura de coisas positivas novamente.

Como encara a reação dos adeptos?

Creio que é algo normal acontecer quando estamos ao nível a que estamos. Quando os resultados não aparecem, é normal os adeptos cobrarem. Contra o Ajax, por exemplo, acabámos o jogo com a sensação de que tínhamos estado bem e de que tínhamos dado o máximo. Saímos tristes e desanimados, mas é normal e os adeptos têm todo o direito de contestar. É normal haver essa pressão numa equipa grande que procura títulos. Vai acontecer sempre.

Foi importante para a equipa receber todo aquele apoio em Tondela? Apesar da chuva, estavam muitos adeptos a torcer pelo Benfica…

Eles são sempre importantes e conta muito estarem connosco. São uma parte do Benfica e é óbvio que são importantes. É sempre bom sentir o empurrão deles.

Agora seguem-se dois jogos importantes, primeiro com o Arouca, para a Taça de Portugal, e depois frente ao Bayern Munique, para a Liga dos Campeões…

Todos os jogos são importantes e não podemos estar aqui a classificar qual o jogo que é mais ou menos importante. O jogo mais importante é sempre o próximo e só temos de pensar em dar o nosso melhor. Não pensamos muito a longo prazo, mas sim no próximo jogo, com o objetivo de dar o melhor sempre. Estivemos na frente do campeonato há um mês e agora está outra equipa, mas isso pode mudar em muito pouco tempo. O futebol é assim, são fases e é normal acontecer. Estamos aqui para dar a volta por cima e mostrar o nosso valor.

Gabriel

Coloca o SC Braga nessa luta pelo título?

Claro que sim. Estão a demonstrar que estão onde estão por mérito e temos de olhar para eles também como um rival na luta pelo título.

O facto de o Benfica defrontar Sporting, FC Porto e SC Braga fora na segunda volta do campeonato pode ser prejudicial?

Temos de estar conscientes do nosso trabalho, onde quer que seja, e temos condições para ganhar em qualquer campo.

O Benfica tem jogado em 4x3x3, mas também pode atuar em 4x4x2. Tem preferência no sistema de jogo?

Sinto-me confortável dentro de campo, seja lá onde for. Estou cómodo desde que jogue. Seria pior não estar feliz por não jogar. Sempre que estiver em campo vou tentar dar o meu contributo à equipa. O nível da equipa sobe dessa maneira, com a versatilidade e o valor dos jogadores. No Benfica, os jogadores, principalmente no meio-campo, podem jogar em diversas posições e isso é positivo para o treinador, que pode utilizar vários futebolistas em posições diferentes. Isso só sobe o nível do Benfica e dificulta um bocadinho a escolha do treinador, mas é uma coisa boa.

Com apenas 24 anos já era capitão no Leganés, o que também demonstra esse perfil que tem. Sente que já tem influência também no seio do balneário do Benfica?

O nosso grupo é muito bom e dá abertura para tudo, até para os jogadores mais novos falarem. Por vezes, quando chegam a um clube, estão sempre mais calados, mas aqui o ambiente é completamente aberto. Dão espaço para falar e creio que todos os jogadores se sentem importantes dentro do balneário. É um dos pontos fortes do nosso grupo. Neste momento, estamos muito bem representados pelo nosso capitão, o Jardel.

Um dos jogadores que o acolheram foi Luisão, que ainda chegou a treinar consigo antes de terminar a carreira. Gostou da forma como o recebeu no grupo?

Claro que sim. Quando cheguei até brinquei com ele. Vim para o Benfica depois de uma paragem para os jogos das seleções e ele também não estava a treinar muito connosco, por motivos físicos. Até lhe disse: ‘Cara, pelo menos treina um dia para eu poder ter tido a honra de treinar contigo.’ Apesar de tudo, foi uma honra e foi muito importante ter passado com ele esse curto período.

Vê em Jonas – que tem feito muitos golos nos últimos jogos, depois de um período complicado em que esteve afastado por lesão – a vontade de continuar a marcar ainda mais?

Vontade de marcar e facilidade! Vemos isso ao longe. É um jogador muito importante para a equipa, todos conhecem a qualidade dele e o potencial que tem nos últimos 20 metros. É um jogador decisivo.

Ficou surpreendido com a qualidade dele?

Só o facto de estar perto dele nos treinos dá para perceber que é um jogador diferente e alguém que só pode acrescentar coisas boas à nossa equipa.

Gabriel

Como é que a Juventus o descobriu?

Estava a jogar o Campeonato Carioca de 2011 e o Ronaldinho Gaúcho tinha acabado de trocar o AC Milan pelo Flamengo. Tinha os holofotes em Itália todos voltados para ele. Tive a oportunidade de jogar contra ele com a missão de marcá-lo durante o jogo. Consegui fazer isso e saí nos jornais, tanto em Itália como no Brasil. Tinha acabado de completar 17 anos e isso, na altura, foi um choque em Itália e despertou o interesse da Juventus e do Inter. Foram acompanhar o final do campeonato, apresentaram-me a proposta e foi concretizada.

Os adeptos abordam-no muito na rua?

Sim, e por vezes nem acredito que as pessoas me estão a conhecer. Demoro a perceber, mas lido muito bem com isso e até gosto. Quando era criança tinha os meus ídolos e também gostava de ter um autógrafo e umas fotografias com jogadores. Entendo superbem e lido tranquilamente com isso. Falo com as pessoas como se fossem minhas amigas.

O facto de ter família portuguesa também tornou a sua adaptação mais fácil?

Já comentei com o meu empresário que os jogadores brasileiros deviam entrar na Europa sempre por Portugal, porque facilitaria muito a adaptação pelo modo de vida ou a língua. Existe também uma quantidade imensa de brasileiros no país. Tenho gostado muito de Lisboa e os meus pais também. Temos aproveitado a cidade.

Assinou contrato até 2023. Tem vontade de cumpri-lo até ao fim?

Claro que sim! Nesse espaço de tempo posso fazer coisas importantes, mostrar o meu trabalho e melhorar cada vez mais. Tenho adorado estes primeiros tempos aqui, tanto na minha vida pessoal como profissional, e a minha namorada também gostou bastante. Vejo-me aqui no Benfica durante todo esse tempo.

Texto: Filipa Fernandes Garcia

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