Antevisão ao desafio com o Ajax em Amesterdão

O defesa-direito André Almeida lançou a partida da 3.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões entre Ajax e Benfica, que tem lugar terça-feira, às 20h00, no Johan Cruijff Arena. Deixou elogios aos holandeses, mas apontou à conquista dos três pontos.

O Ajax é uma excelente equipa, com futebol ofensivo e jogadores com valor. Tivemos uma semana de paragem, mas já com oportunidade de trabalhar sobre este jogo. Vamos fazer tudo para o podermos vencer”, assegurou.

O Benfica vai regressar a um estádio de má memória. O lateral afasta fantasmas, mas admitiu desejar acertar contas com a Arena de Amesterdão.

“São equipas diferentes, competição diferente, contexto diferente. Espero que consigamos acertar contas com o estádio, pelo menos”, sublinhou ao recordar a final da Liga Europa, com o Chelsea, em 2012/13.

Na Champions, o Ajax vem de um empate em Munique com o Bayern, mas André Almeida frisou que o respeito é o mesmo de sempre.

“Não aumenta o respeito porque ele é o mesmo. A luta é a quatro. Neste momento, todas as equipas podem seguir em frente. Vamos encarar este jogo para vencer”, reforçou.

Os dois próximos encontros do Benfica na Champions League são com o conjunto holandês. O defesa-direito recusa lutas a dois, mas quer os três pontos para ultrapassar o Ajax na classificação.

“Não acho que seja um rival direto, até porque o Ajax e o Bayern têm os mesmos pontos. É apenas mais um jogo e vamos fazer tudo para ganhar e sair na frente”, destacou.

André Almeida

Questionado se “comprava” o empate com o Ajax nesta partida, André Almeida afirmou que os encarnados jogam sempre para ganhar.

“Não temos esse hábito e não assinamos empates com ninguém. Viemos aqui com o intuito de vencer e é isso que vamos tentar”, sublinhou.

Ziyech, na antecâmara deste jogo, avisou que o Ajax está muito confiante. O 34 benfiquista respondeu na mesma moeda: “O Ajax tem excelentes jogadores. Acredito que estejam confiantes, mas o Benfica também está. Temos passado um bom momento na Champions e internamente. Vai ser um jogo dividido e espero que caia para o nosso lado.”

Caso Jardel não seja titular, André Almeida pode envergar a braçadeira, mas recordou que o líder no relvado é outro.

“Tenho tido a oportunidade de ser capitão. É um orgulho e um sentimento inacreditável, mas o capitão é o Jardel”, admitiu.

O defesa-direito mostrou, ainda, elevado conhecimento sobre o opositor. “Tive a oportunidade de ver toda a equipa do Ajax. Não é só o Ziyech que joga por aquele lado [esquerdo da equipa holandesa]. Podem jogar o Neres e o Tadic, que são adversários de qualidade, mas espero vencer os duelos”, enumerou.

Rui Vitória, treinador do Benfica, identifica o Ajax, adversário na 3.ª jornada do Grupo E da Liga dos Campeões, como uma equipa “que joga de uma forma muito natural no seu processo ofensivo”.

Temos de ser muito completos nas diferentes fases do jogo. Vamos ter de defender em determinados momentos, como noutras alturas vamos criar problemas”, anteviu Rui Vitória em conferência de Imprensa, em Amesterdão, onde às 20h00 de terça-feira, no Johan Cruijff Arena, se disputa o encontro.

De que Ajax está à espera neste jogo?

Temos a consciência de que o Ajax é uma equipa que tem uma dinâmica ofensiva com várias virtudes, mas não vamos alterar a nossa forma de trabalhar. Temos de olhar para o adversário, perceber essas dinâmicas e dar toda a informação aos nossos jogadores para estarem prontos. É um adversário forte do ponto de vista ofensivo, mas temos jogadores de qualidade, com uma vivência grande neste tipo de jogos na Liga dos Campeões.

Temos de ter cuidados, mas também temos de ter a nossa personalidade, a ambição e a responsabilidade que é fundamental para se disputar um jogo destes, em que o pormenor faz a diferença, em que a astúcia e a perspicácia também podem fazer toda a diferença. Qualidade de um lado, qualidade do outro, e depois estes pequenos duelos que se vão verificar no jogo e nos quais queremos ser superiores.

Treino Benfica Johan Cruijff Arena

Como é que o Benfica vai jogar, de uma forma mais contida ou a tentar dominar?

Vamos encontrar um Ajax com uma dinâmica ofensiva muito interessante e positiva. Temos essa noção e temos de ser fortes nos quatro momentos do jogo. Quando tivermos de estar organizados defensivamente, teremos de saber em que zonas vamos defender e de que forma vamos bloquear os espaços que a equipa do Ajax pretende. Quando tivermos a bola, e quando estivermos na organização, evitar perdê-la com facilidade e escolher os caminhos para desequilibrar a equipa contrária. Aí, sim, apostar também na nossa velocidade, porque é uma das armas que temos à frente quando ganhamos a bola.

Temos de ser muito concentrados nestes quatro momentos do jogo, associando-lhe ainda a importância das bolas paradas, onde temos de ser fortes. Temos de ser muito completos nas diferentes fases do jogo. Vamos ter de defender em determinados momentos, como noutras alturas vamos criar problemas à equipa do Ajax. Vamos ter um jogo interessantíssimo de seguir.

Como é que o Benfica terá mais possibilidades de vencer?

Temos de ser uma equipa muito concentrada. Teremos momentos em que vamos ser uma equipa que vai complicar a fase de construção do Ajax e outros em que vamos jogar um pouco mais baixo. Dessas duas formas podemos causar problemas. Vai ser determinante a forma mental de abordagem do jogo. A nossa identidade tem de ser colocada em campo. Há momentos em que vamos ter de defender, mas também vamos ter os nossos momentos para atacar. Temos de ser uma equipa forte nos vários momentos.

Rui Vitória

Um ponto neste jogo já seria bom?

Há um jogo para disputar, há três pontos. Não estamos a pensar em estratégias para levar daqui um pontinho. Quando não se ganha, evita-se perder, mas jogar com essa visão não o faço, porque a preocupação genérica dos meus jogadores é ofensiva, é ir à procura da vitória, de tentar ter bola quando não a tem. Esta filosofia não se coaduna com preocupações estratégicas que vão contra isso. Vamos à procura de ganhar o jogo, reconhecendo que do outro lado está uma equipa que joga de uma forma muito natural no seu processo ofensivo, até pela cultura do futebol holandês. Temos de saber contrariá-la.

O Ajax tem muitos jogadores jovens, assim como o Benfica. Falando concretamente de Gedson, como está a ser o seu desenvolvimento? Não estará a ir demasiado rápido?

Com essas idades temos o Gedson, mas também o João Félix, que ainda é mais novo. Não está cá o Rúben, mas tem feito parte da estrutura da equipa. Ainda há poucos dias estreámos outro jovem, o Jota. Temos jogadores que já saíram e outros que aí virão que vão ter um futuro risonho no clube. Os jogadores da nossa formação, tal como acontece no Ajax, trabalham dentro da perspetiva de um desenvolvimento integral.

Um jogador com 18/19 já tem chegado com uma capacidade muito grande para desempenhar funções na alta competição. Depois, depende de uma série de aspetos: do enquadramento, da cultura, do próprio jogador. No caso do Gedson, está a fazer uma campanha muito positiva, uma evolução tremenda, mas temos vários jogadores dentro desse escalão etário e com essas qualidades noutras posições.

 

 

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