Os motivos para o Benfica rescindir com Bilal Ould-Chikh

imgS620I165419T20151127191525Na sequência da decisão da FIFA, que obriga o Benfica a pagar indemnização de 3,5 milhões de euros a Bilal Ould-Chikh, o clube da Luz decidiu avançar com um recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) de Lausana, Suíça. Na argumentação, as águias apresentarão os factos que, no entender da SAD, justificam a quebra do vínculo e uma indemnização do jogador.

O Benfica assinala que mantém «a convicção de que o despedimento» de Ould-Chikh «se justificou face ao comportamento desportivo e social», considerado «censurável». Os encarnados consideram, como tal, «legalmente sustentável» a rescisão, anunciando que vão reclamar «a devida indemnização» no TAS.

Na primeira época, na qual o extremo foi utilizado 13 vezes na equipa B, os problemas surgiram logo em novembro. Na argumentação e factos apresentados na FIFA, os encarnados lembram que Ould Chikh foi expulso dos sub-19 holandeses por mau comportamento, que envolveu, segundo a acusação, barulho, raparigas e outras pessoas num hotel à noite. Ainda nesse mês, lembrou o Benfica, o jogador foi apanhado a conduzir sem carta de condução em França a 230 quilómetros por hora.

Os maiores problemas surgiram, porém, na época 2016/17, para a qual Ould-Chikh se apresentou, a 30 de junho de 2016, com excesso de peso e continuou a acumular quilos apesar de um regime de treino especial. O holandês, a 28 de julho, queixou-se, segundo o Benfica, de uma dor nas costas, mas não quis ser consultado pela equipa médica e insistiu em treinar-se. Dois dias depois abandonou um treino durante 25 minutos e recusou, no final da sessão, a pesar-se.

Entre as várias acusações dos encarnados, nota para insultos no treino de dia 2 de agosto, no qual ridicularizou, com Adel Taarabt, alguns exercícios e referiu-se a Portugal como «país de m…» e aos portugueses como «pessoas de m…». No dia seguinte, alega o Benfica, chegou 25 minutos atrasados ao treino e não integrou a sessão e, daquela vez, no centro médico, referiu-se ao Benfica como «clube de m…» e ao fisioterapeuta David Amaro como «fisioterapeuta de m…» Pediu, de acordo com o Benfica, a David Amaro uma massagem e para ser «tratado como um rei». A 5 de agosto, depois de ter chegado 25 minutos atrasado, foi impedido de treinar-se e recusou pesar-se. Nesse dia o Benfica abriu um procedimento disciplinar.

O extremo não se treinou a 6 de agosto porque o carro dele se incendiou, três dias depois não apareceu nem apresentou justificações. A 10 de agosto, segundo o Benfica,  insultou o fisioterapeuta Hugo Zagalo, chamando-lhe «filho da p…», «paneleiro» e dizendo-lhe «deixas o trabalho às 20 horas e não ganhas nada», «sou rico e só trabalho duas horas por dia», «vou f… a tua mulher e a tua mãe». Também se recusou a ser pesado.

Nos dias seguintes, faltou a treinos sem autorização do Benfica. E os encarnados, na argumentação apresentada à FIFA e que será reencaminhada ao TAS, acusam o jogador de estar envolvido numa rixa, a 21 de novembro, numa discoteca em Lisboa, na qual um amigo foi ferido. Segundo as águias, Ould-Chikh levou o amigo ao hospital, pagou a conta e recusou ser assistido pelos ferimentos que sofreu.

O Benfica acredita, agora, que os argumentos e factos tenham vencimento no TAS.

 

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