Nuno Gomes considera Luisão um “líder nato”, e aponta Jardel e Rúben Dias à sucessão

naom_5a88b9c656b82O internacional português Nuno Gomes, que quando encerrou a carreira de jogador no Benfica passou a braçadeira de capitão dos encarnados a Luisão, que irá oficializar ao final da tarde desta terça-feira também o adeus aos relvados, não tem pejo em recordar as caraterísticas de «líder nato» do defesa-central internacional brasileiro mesmo quando ainda não era um dos capitães encarnados, e garante que Jardel e Rúben Dias, na mesma posição, também desempenham a liderança em campo a contento.

Presente na cerimónia de lançamento da caderneta de cromos da Panini da Liga 2018/19, promovida pela empresa e Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, na praça do Comércio, em Lisboa – onde também marcaram presença outro antigo jogador das águias, Pedro Henriques, o presidente do sindicato, Joaquim Evangelista, e Luís Torrent (diretor-geral da Panini para Portugal e Espanha) -, Nuno Gomes, que exerceu durante anos também funções de responsabilidade na formação encarnada, no Caixa Futebol Campus, elogiou também Gedson e João Félix, produtos da formação da águia que agora brilham no grupo dos vice-campeões nacionais, às ordens de Rui Vitória. E acredita que Cristiano Ronaldo vai vencer ainda muitos mais prémios individuais, apesar de segunda-feira, em Londres, ter sido Modric o The Best na votação da FIFA.

«Tenho saudades de tudo o que diz respeito a jogar futebol, e de ser cromo da bola, como se costuma dizer. Mas tenho mais saudades do cheiro da relva e dos companheiros do que de jogar. Também gostava de ver o meu crono nas cadernetas», começou por revelar o antigo ponta-de-lança, que se destacou no Boavista, Benfica e Fiorentina, ao folhear a caderneta.

«Esta coleção ainda faz sentido. A introdução das novas tecnologias não veio ocupar espaço a esta caderneta. É diferente ter um cromo físico, na mão, o ritual de o colar, o estar à espera de determinado cromo e ele demorar a sair. E é também o momento de descontração e de agregação entre amigos e familiares. Ainda apanhei a fase em que os jovens vinham ter com os jogadores com os cromos e nos pediam para autografar por cima. É giro, fica uma coleção ainda mais importante», afirmou, antes de dissecar os temas quentes da realidade futebolística da águia.

– Luisão foi um dos ‘cromos’ mais importantes do futebol português nos últimos 15 anos?

– Sim. Resta-me agradecer ao Luisão tudo aquilo que fez pelo Benfica e pelo futebol português, também. Porque foi e é um jogador que é um exemplo, também, daquilo que é ser-se profissional de futebol. É um exemplo que podemos indicar aos mais jovens para seguir, pois tem uma história muito bonita ao serviço do Benfica e é um jogador que atravessou o Atlântico para vir à procura de um sonho, de uma carreira, e conseguiu-o. Por isso, resta-me, como antigo colega e como amigo, dizer-lhe muito obrigado por aquilo que fez pelo Benfica e pelo futebol português, e desejar-lhe as maiores felicidades para a sua vida.

– Luisão chegou a capitão herdando de si a braçadeira…

– É verdade. Foi na altura em que deixei de jogar que o Luisão começou a ser capitão. Mas pela sua forma de ser e personalidade, já então muitas vezes não usava a braçadeira mas fazia parte do grupo de capitães. Não só pela sua posição, não só pela sua altura [risos] mas por aquilo que muitas vezes dizia e pensava: era um líder nato.

– Luisão deixa um legado difícil de preencher. E em termos de campo…

– Sim. O futebol, como em tudo na vida, tem um princípio, meio e fim. O Luisão vai iniciar outras tarefas, pelo que sabemos. Arranjar quem o substitua nunca é fácil, mas há sempre 11 jogadores, as equipas vão continuar a entrar em campo com 11 e não com dez. Mas em termos de liderança, creio que, se calhar, o Jardel estará a corresponder muito bem. Olhando para o futuro, na mesma posição, o Rúben Dias, se calhar: também já foi capitão durante muitos anos nas camadas jovens do clube e na própria Seleção, por isso poderá ser ele um dos sucessores do Luisão, não só em termos de braçadeira mas na posição em campo. Mas não estando no dia a dia no balneário, fica mais difícil saber quem será o próximo capitão: isso é uma escolha da direção e do treinador do clube.

– Gedson e João Félix vão ser os futuros ‘cromos’ de referência do Benfica?

– Já o são [risos]. Não há volta a dar. Inclusive estão na caderneta desta época. Quem fez o trabalho de casa para os nomes que iriam sair na caderneta também aposta neles. Tanto um como o outro, mais o Gedson porque tem mais minutos jogados, têm mostrado as suas capacidades e o potencial que têm. Apesar de jovens, estão a dar cartas junto dos mais velhos e vão, com certeza, ser mais dois craques no futuro.

– Quando era responsável no Caixa Futebol Campus, no Seixal privou de perto com João Félix, na formação, juvenis e juniores. Que nos pode adiantar da revelação da águia esta época?

– Vocês têm visto, momentos aqui e ali. Apesar de ter tido pouco tempo de utilização, pois não deixamos de estar a falar de um jovem que está a fazer a sua primeira época como sénior. Mas seja no jogo com o Sporting, em que entrou vindo do banco de suplentes e fez um golo, seja agora no último jogo [Aves], em que jogou de início e voltou a fazer outro golo, com um gesto técnico que mais parecia um jogador maduro ou mais experiente… é um jogador maduro e acima da média, em termos técnicos. Parece que tem uma vantagem, que é pensar um bocadinho mais rápido que muitos outros jogadores. Hoje em dia, essa velocidade de pensamento também é importante, até para combater as fragilidades físicas que hoje em dia apresenta, comparando com jogadores mais fortes fisicamente. Mas no futebol muitas vezes o físico nada quer dizer: se tivermos talento, a tudo se sobrepõe.

Cristiano Ronaldo merecia The Best e vai lutar pelos próximos!

– Modric venceu o Prémio The Best da FIFA, Cristiano Ronaldo ficou em segundo. Acha que é justo ou o português deveria ter ganho, que é uma derrota do futebol português?

– Encarar como uma derrota não diria, é uma palavra demasiado forte. É sempre muito subjetivo. O Modric, o Salah também fez uma excelente época, o Cristiano também ganhou tudo o que havia para ganhar, só em termos de Seleção é que ficou um pouco aquém daquilo que nós esperávamos que a nossa Seleção pudesse fazer. Mas relembro que quem vota são os selecionadores, são os jornalistas, e são os capitães das seleções. Por isso… desta vez votaram assim. Não sei se é merecido ou não, sinceramente não tenho uma opinião muito bem formada. Sei que o Cristiano, se ganhasse, estava bem entregue! E tenho pena que ele não tenha ganho, mas estou convicto que vai estar ainda na luta nos próximos anos pelo prémio!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.