Agora a frio, este foi um dos piores dérbis da história

18Três equipas em campo. Uma foi má. Outra foi muito má. A da casa foi mais ou menos. 

Nos corredores da arbitragem, costuma-se dizer que um bom trabalho destes é quando não se notam em campo. Pois bem, o figurão com que presentearam os espectadores na Luz, promove-os a piores em campo. Mas orgulhosamente melhores. A turma que veio de Évora, e que já tinha feito o tirocínio no fim-de-semana transato em Arouca, trazia uma missão. Essa missão foi conseguida e não fora um miúdo com a nossa formação, teria até suplantado o objetivo dessa missão. 

Desde a o critério (???) na marcação de faltas (sempre para o mesmo lado), passando pelo critério ligeiro no capítulo disciplinar, concluindo com a não marcação da grande penalidade de Jefferson sobre Luís Félix mesmo a acabar o jogo. Tudo isto aliado, permitiu aos leões sentirem que estavam à vontade para bater e reclamar. Por outro lado, as águias ficavam cada vez mais nervosas (parte do plano?) e susceptiveis de ver cartões. 

Foi irritante ver a quantidade de tempo perdido por Salin na reposição de bola, ou nas imensas caídas no relvado dos “frágeis” jogadores do Sporting. Já para não falar das faltas que demoraram 3 ou 4 minutos a serem convertidas por decisão do árbitro. Ou ainda o escasso tempo de compensação em ambas as partes, comparando com o tempo perdido por Godinho ou Sporting. Estes últimos que ainda fizeram substituições já no tempo extra, numa clara estratégia de queimar tempo qual equipa pequena. 

Claríssimo e sem margens para dúvidas ou necessidade de recorrer ao VAR, foi o penalti assinalado a Rúben Dias. Embora discutível, aceitamos a marcação do mesmo, pese embora se estranhe a certeza e prontidão com que foi assinalado. Talvez a mesma que permitiu a este mesmo Luís Godinho de Évora assinalar o penalti a favor do Arouca no passado fim-de-semana, e em desfavor do… Benfica B. Nesse, apesar do avançado estar fora-de-jogo, também beneficiou da certeza do juiz alentejano. 

Despachada a pior equipa em campo, falemos então da outra má equipa que nos defrontou. Cientes da sua inferioridade perante o Benfica, o Lusitano de Évora… perdão. O sporting (letra pequena mesmo) foi uma sombra do que já foi outrora. Há quem fale há muito da belenização dos leões, mas não parece que tenham verbas para sustentar duas equipas principais. Por algum motivo extinguiram a equipa B. A turma de Peseiro, que costuma ter “galo” quando vem à Luz (lembram-se de pelo Porto levar aqui um baile de bola e ainda assim ganhar?), entrou em campo com um claro objetivo, que passava por aguantar o nulo no marcador. Abdicando de atacar, mas aproveitando os erros do adversário (já vamos falar de Pizzi), os verdinhos lá foram escapando aos ataques desmedidos do Benfica, sob a proteção divina da pior equipa em campo. Que equipa de futebol tão má e fraca. O Benfica perdeu mesmo, e também por culpa própria, a oportunidade de fazer um resultado volumoso frente ao seu rival histórico.  

Falemos então dos nossos. A equipa mais-ou-menos foi mesmo a do Benfica. Muito se tem falado, e sobe o tom das críticas entre os mais cépticos a esta equipa, que perdeu recentemente a oportunidade de consagrar-se Pentacampeões.  

Uma verdade que deve ser lembrada, é a de que nunca Rui Vitória teve ao seu dispor orçamento ou equipas com que Vieira ofertou o treinador anterior. Jorge Jesus teve tudo e ficou-se por metade do que poderia ter ganho. Sendo esta uma verdade, também é correto de que muitas vezes os nossos melhores jogadores são os que chegam da academia do Seixal (Gedson Fernandes e João Félix que o digam). Os que pegam de estaca são vendidos ao fim de um ano no máximo. Os que não pegam de estaca são vendidos ao fim de um ano no máximo. São raras as excepções (Rúben Dias). Mais espaço e aposta mais efetiva dos mais tímidos evitaria perder João Carvalho ou Diogo Gonçalves.

A tal enaltecida forma de jogar preferida por Rui Vitória, de “sair a jogar” a partir da sua área, e que não está ao nível de qualquer equipa, traz-lhe razão no seu argumento. Na verdade, equipas ao nível de quartos-de-final da Champions têm essa capacidade. Já neste Benfica, serve unicamente para convidar os adversários a uma pressão alta, e fazer sofrer os adeptos nas bancadas. A qualidade do passe entre Fejsa, centrais e laterais é admirável. Surgem apenas algumas dificuldades quando a bola chega ao suposto artista. Pizzi tem o papel de pensador do meio campo encarnado. Mas Pizzi raramente pensa. Age por instinto e não olha ao seu redor, o que lhe coloca muitas vezes na eminência de um passe certeiro para um qualquer adversário em boa posição de contra-ataque. Por vezes o passe para um apanha-bolas também acontece. A prova de que esta equipa está órfã de um “maestro” é o facto de ser o Grimaldo, enquanto lateral-esquerdo, ter de assumir o papel de organizador do meio-campo das águias. Confuso? Veja os jogos com atenção.  

A imprensa fala da chegada de Ramires e Gabriel. Krovinovic está quase recuperado. Terá razão Pizzi para começar a ficar preocupado com a sua titularidade? Vamos ver se não será Gedson Fernandes a pagar a fatura do desacerto intermédio da equipa do Benfica. É que isto de miúdos da formação dá muito jeito para fazer número para as contas da UEFA. Rui Vitória tem no entanto uma solução imediata, mas só ao alcance dos treinadores corajosos. Os tais com eles no sítio. O jogo na Grécia com o PAOK, poderá responder a esta pergunta. João Félix pode fazer o lugar de Pizzi. João Félix pode fazer o lugar de Facundo Ferreyra. João Félix pode ainda fazer o lugar de Cervi ou Rafa caso Salvio não recupere. Tem a decisão o mister. 

A época foi preparada ao pormenor pela direção e equipa técnica. Os reforços mais prementes foram contratados prematuramente começar na máxima força, e então Rui Vitória tem um vasto plantel de qualidade para atacar as pré-eliminatórias da Champions e o início da Liga NOS. Mas insistir em todas as partidas sempre com os mesmos jogadores, se a ideia é criar mecanismos rapidamente e solidez nestes jogos importantes, a verdade é que a variedade e qualidade deveria permitir fazer descansar alguns destes atletas, para depois não ter de dizer no final de um dérbi, que “com mais descanso teríamos ganho”. Onde andam Yuri Ribeiro, Conti, Lema, Alfa Semedo, ou mesmo o desaparecido Luisão? E se Seferovic é tão bom para ficar no plantel, ao ponto de Heriberto, o goleador do Moreirense, ter sido cedido ao clube minhoto, porque não alterna a titularidade com Ferreyra? Já se viu que João Félix não é tão mau nessa posição de avançado como se temia. O estatuto de melhor marcador do Campeonato de juniores da época passada deverá querer dizer algo também. 

Há quem peça “a cabeça” de Rui Vitória caso as coisas corram mal frente ao modesto PAOK. Não vamos a extremos, mas que fica com margem de manobra mais reduzida, lá isso fica.

 

Nuno Alexandre Costa

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.