Ricardinho: “Fui para o Benfica e… fiquei apaixonado pelo clube”

2330495_w2Em miúdo, Ricardinho jogava à bola com laranjas. A paixão pelo futebol manifestou-se bem cedo, mas barraram-lhe o acesso ao FC Porto por ser pequeno – mede 1,67 metros, mais dois centímetros do que Diego Maradona – e o futsal acabaria por se tornar a sua vida. Aliás, El Pibe ‘emprestou-lhe’ o nome nas primeiras comparações que lhe fizeram, ainda a alcunha de Mágico não se antevia (ainda).

“O meu pai dizia: ‘nem sabes com quem é que te estão a comparar’. Se me comparassem com o Ronaldo Fenómeno, com o Zidane, esses eu via-os jogar, agora o Maradona, não fazia ideia quem era. Depois comecei a ver os vídeos na Internet e a achar que era uma grande responsabilidade”, afirmou em entrevista publicada esta quarta-feira na ‘Sábado’.

Nos tempos em que alinhava no Cerco ia levando o padrinho à falência que lhe prometeu 5 contos por cada golo que marcasse – “marquei os 10 golos da equipa frente aos Alunos de Meirim (…) Ele deu-me os 50 contos, mas ficou desesperado. A certa altura estava na bancada: ‘não marques mais, já chega'”, recorda Ricardinho, hoje com 31 anos e a alinhar nos espanhóis do Inter Movistar onde chega a estar “1h30 a tirar fotos e a dar autógrafos”.

Comprar os “fatinhos de treino” com os 2.250 euros do Benfica

Da infância ficaram também as más recordações do incêndio em casa dos avós, em Fânzeres, na qual viveu até aos 9 anos que o deixou apenas com a roupa do corpo, mas também os dias bons passados nas Antas. “O meu pai vendia cerveja no estádio das Antas e quando acabava a cerveja ficávamos a ver os os jogos. O porteiro já me conhecia e deixava-me entrar. Comecei a ter um carinho especial pelo FC Porto (…). Mas depois fui para o Benfica e além do futsal ia ver futebol, hóquei em patins, basquetebol, voleibol… Fiquei apaixonado pelo clube”.

Os encarnados entraram na sua vida em 2003 e assume, sem cerimónias, que assinou pelas águias “pela parte financeira”. “O Benfica ofereceu-me 2.250 euros. Eu não queria ir [alinhava no Miramar], até porque com 17 anos tinha uma namorada que não queria deixar. Chorei, mas a minha mãe disse-me: ‘Se queres mesmo ser profissional, tens de agarrar a oportunidade’. Ainda apareceu lá em casa uma pessoa do Freixieiro com uma mala cheia de dinheiro, mas já tínhamos dado a palavra ao Benfica, não voltámos atrás”.

E o que fez com o ordenado? “Nos meus primeiros seis meses, ficava com 250 euros e mandava o resto para os meus pais. Comprava as minhas roupas, os meus fatinhos de treino Nike… para mim, chegar ao bairro [no Bairro do Cerco] de fato de treino da Nike era top. Comprei um telemóvel para mim e ofereci um ao meu irmão mais velho”.

No futuro, já sabe, só vai dar futsal. “Espero jogar mais cinco ou seis anos ao mais alto nível. Depois posso ir experimentar as ligas do Dubai ou dos EUA.(…) Depois, falta-me conquistar um título pela seleção. Temos trabalhado muito, nos Europeus e Mundiais, mas as outras seleções também são muito fortes e não tem sido fácil. Já ganhei tudo o que havia para ganhar em todos os clubes, já fui o melhor do mundo três vezes e espero ainda ser uma quarta vez, só me falta mesmo um título na seleção”.

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