DECO analisa empréstimo obrigacionista do Benfica e suas vantagens

img_817x460$2013_12_10_15_08_06_210853A DECO publicou esta semana uma opinião acerca do novo empréstimo obrigacionista do Benfica, e de uma forma isenta de paixão clubística, avalia as vantagens e desvantagens numa aposta de investimento. Deixamos abaixo o artigo na íntegra:

Um ano após a última emissão, a SAD do SL Benfica lançou uma nova série de obrigações (“Benfica SAD 2017-2020”). Em subscrição até 20 de abril.

“Jogo” de alto risco

O objetivo declarado desta nova emissão de obrigações é financiar a atividade com menor dependência dos empréstimos bancários. O montante da emissão é semelhante à anterior, 50 milhões de euros, mas pode vir a ser ampliado.

As emissões de obrigações têm tido uma boa adesão por parte dos investidores, e a verdade é que a Benfica SAD tem vindo a pagar taxas de juro cada vez mais baixas: nesta emissão a taxa de juro líquida de impostos nem chega a 3% (2,9% TAEL).

Um valor que ainda assim é cerca do dobro do que pode obter nos melhores depósitos a prazo, e que portanto pode “tentar” alguns aforradores a investir neste empréstimo representado por obrigações. Sobretudo se são adeptos do Benfica e podem assim juntar o útil ao agradável.

Não faça isso! A diferença entre o risco das obrigações da SAD de um clube de futebol e o risco de um depósito a prazo de um banco supervisionado e ao abrigo do Fundo de Garantia de Depósitos é enorme, a todos os níveis: crédito do emitente, liquidez, etc. Não são nem devem ser vistos como alternativas.

Mas, para quem tem condições para suportar o risco do investimento em obrigações, será que pode ser uma boa opção? Será que o Benfica está a conseguir transformar sucessos desportivos em capacidade financeira?

Esta emissão de obrigações não tem rating, mas é previsível que caso existisse ficasse profundamente em território de “lixo”. As contas mais recentes revelam, apesar de tudo, uma tendência positiva. Os resultados operacionais antes de resultados com atletas, mantêm-se em terreno positivo e têm vindo a crescer (+52% no último exercício). É um dado relevante, pois deixa o clube menos dependente de vendas de jogadores para fazer face às despesas correntes.

Há melhorias ligeiras nalguns indicadores financeiros. Por referência à nossa última análise, o clube está agora menos endividado e tem uma autonomia financeira de 5,4% (contra 1,3% anteriormente). Já o rácio de liquidez corrente permanece inalterado em 0,31. Ainda assim, continua muito longe do que seria recomendável. Com efeito, os valores mínimos recomendados para uma entidade saudável são de 35% para a autonomia financeira e de 1 para o rácio de liquidez corrente.

De referir contudo que os números do último semestre (a Benfica SAD fecha o ano em junho) não incluem as vendas de Gonçalo Guedes e Renato Sanches, que terão um impacto positivo relevante, sobretudo se houver critério e contenção na política de contratações.

 

OBRIGAÇÕES BENFICA SAD 2017-2020 4,0%
Data de Emissão 26-04-2017
Data de reembolso (maturidade) 24-04-2020
Categoria da dívida Não – subordinada
Taxa Anual Nominal Bruta (Taxa de cupão) 4,0%
Taxa Anual Efetiva Líquida (após impostos) 2,9%
Valor Nominal de 1 obrigação 5 euros
Mínimo a subscrever (20 títulos) 100 euros
Pagamento dos juros Semestral, com pagamentos a 26 de abril e 26 de outubro
Cupão bruto 0,10 euros
Cupão líquido (valor a receber na data de pagamento, deduzido de impostos, por cada obrigação) 0,072 euros
Notação de risco Não tem
Código ISIN PTSLBLOM0009

 

Demasiado risco para pouca remuneração

Não obstante algumas melhorias, a verdade é que a situação financeira da Benfica SAD continua a ser precária, e a remuneração desceu 25 pontos base desde a última emissão. Isto num contexto em que se espera agora o início de um ciclo de subida das taxas de juro de mercado.

Qualquer empresa com estes indicadores representa uma situação de risco elevado e o rendimento proposto não é compensação suficiente.

Ora, pela mesma medida que nos leva a recomendar a venda de obrigações da Mota-Engil com maturidade em 2020, que apresenta menos risco (ainda que também elevado) e rendem quase 4% líquidos (TAEL),também não podemos recomendar o investimento nestas obrigações da Benfica SAD. Não é pelo prisma desportivo, mas pelo da análise financeira, que devemos avaliar esta obrigação, e nesse sentido não recomendamos o investimento. Novamente sugerimos: siga a razão e não o coração.

 

Datas Chave
5 de abril (8h30) Início do período de subscrição
11 de abril Data-limite para a Benfica SAD decidir aumentar o montante da emissão
17 de abril (15h00) Data-limite para revogar ou cancelar ordens de subscrição
20 de abril (15h00) Final do período de subscrição
21 de abril Apuramento dos resultados e divulgação do número de ações a atribuir
26 de abril Subscrição e admissão à negociação na Euronext Lisboa

 

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