Vanessa Fernandes em entrevista ao jornal “O Jogo”: “Quando não vacilo, acabo por superar-me”

thumbs.web.sapo.ioA Taça da Europa de Quarteira já vive a expectativa de contar com uma das oito mulheres do “Hall of Fame” do triatlo. Mas Vanessa Fernandes em entrevista ao jornal O JOGO afirma que não vai “queimar etapas”.

Aos 31 anos, a medalhada de prata em Pequim”2008 está decidida a regressar aos grandes palcos. A história de Vanessa Fernandes com o triatlo não estava totalmente resolvida, mas, ressalva, não se trata de um ajuste de contas: é uma paixão a falar mais alto. Vanessa sabe bem o que vale e aposta em dar o melhor.

Quais são as sensações neste regresso ao triatlo?

– Para mim, é como baralhar e dar de novo. Sem dúvida, a minha experiência é uma mais-valia, no entanto, o trabalho que fiz de autoconhecimento nestes últimos anos permite-me ser mais cautelosa nas minhas decisões, ao mesmo tempo que sou o centro de todas elas.

Competiu em Altura, agora terá a Quarteira… Como se sente?

– Ainda não competi individualmente…

Já disse que o clique para voltar ao triatlo surgiu nos Jogos do Rio. Porquê?

– Estar de regresso à maior competição do mundo, oito anos depois de conquistar a minha medalha, fez-me ver que não posso ficar por suplente.

“Quando não vacilo, acabo por superar-me” – quer comentar esta frase sua?

– Sim. Há alturas na vida em que temos dúvidas. Temos medos. Uma coisa que aprendi é que não é suposto não os termos, mas antes assumi-los e combatê-los. Com verdade.

Está mesmo decidida a voltar aos grandes palcos. Tóquio”2020 é sonho ou objetivo?

– Tóquio é, como referi, um sonho. Nove anos depois, ainda é cedo para pensar mais e melhor sobre isso.

O exemplo do pai Venceslau é uma luz sempre acesa?

– O meu pai sempre será um exemplo para mim. Não fosse eu sua filha, provavelmente nem estaríamos aqui a falar daquilo que já conquistei. Mas isso não apaga o meu valor. Sou, neste momento, muito mais do que a filha do Venceslau Fernandes.

Gosta de viver em Cascais?

– Adoro. Sinto-me em casa. Nunca esquecendo a minha origem, posso dizer que sou uma mulher do Norte em Cascais. Neste momento, é para mim o sítio do mundo que reúne melhores condições de treino e recuperação.

Como é trabalhar com o Lino Barruncho?

– Novo é que não é. Ambos crescemos muito nestes últimos anos. Apesar de nos identificarmos muito em termos competitivos, a mais-valia do Lino tem que ver com a compreensão da parte emocional, o respeito pelo espaço de cada um.

Corrida, natação e atletismo: onde se sente (já) mais forte e onde precisa de melhorar mais?

– Não podemos ver o triatlo apenas como a soma das três partes. O que é para mim mais difícil, diz respeito, precisamente, à exigência das três modalidades em termos de carga de treino, alteração de rotinas. É muito diferente do que treinar apenas para uma.

Para terminar: o Benfica (e Portugal) tem uma superequipa de estafetas mistas. Que países terão ainda melhor?

– Honestamente, estou um bocadinho fora. Além de estar afastada da competição, nunca tinha experimentado um modelo misto. Mas isso não me preocupa. O que me ocupa a cabeça é o trabalho e as condições que têm de ser desenvolvidas para cada um de nós dar o melhor de si.

Vanessa bateu recordes – A história de superação da que ainda é das melhores de sempre

A história de Vanessa Fernandes dá um livro. Ou um filme. A sua vida comporta grandes capítulos de superação, sobretudo desde que, tendo apenas 15 anos, deixou Perosinho, a sua terra natal, e mudou para o Centro de Alto Rendimento do Jamor. Num ápice, tornou-se uma referência do triatlo e do desporto português, batendo o recorde de vitórias em Taças do Mundo (20), colecionando medalhas e títulos em Europeus e Mundiais e ainda a prata nos Jogos Olímpicos de Pequim”2008. Foi das primeiras mulheres a integrar o “Hall of Fame” do triatlo. A atleta do Benfica quase não tinha rivais, mas o preço a pagar, porém, foi caro. Deixou a modalidade doente – anorexia nervosa e bulimia – e a saturação levou-a a deixar o desporto, em 2011. Mas uma campeã nunca desiste. Treinada por Paulo Colaço, voltou pela porta do atletismo e conseguiu os mínimos olímpicos para a maratona dos Jogos do Rio”2016, onde foi como suplente. O ambiente olímpico reavivou-lhe a paixão. Mudando para Cascais, treina com Lino Barruncho e já diz que tem o sonho de ir a Tóquio”2020. No triatlo, claro.

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