Aniversariante Luisão fará jogo 500 pelo Benfica frente ao Borússia Dortmund

luisao7O central do Benfica, que esta segunda-feira comemora o 36.º aniversário, fará terça-feira frente ao Borussia Dortmund o 500.º jogo com a camisola do Benfica. A cumprir a 14.ª temporada de águia ao peito, Luisão divulgou esta imagem no Instagram com a mensagem “gratidão”. Os comentários não pararam.

Para assinalar a marca redonda que Luisão vai atingir com o Borussia Dortmund (500 jogos com a camisola do Benfica), o jornal Record passou a palavra a 7 jogadores que atuaram com ele no eixo da defesa ao longo dos últimos (quase) 14 anos, entre os quais Garay.

“É nota 10! Ajudou-me muito quando cheguei, ainda muito novo, e tivemos sempre um excelente entendimento em campo. Recordo a forma como festejávamos um com o outro sempre que a equipa ou um de nós conseguia marcar um golo. Celebrávamos sempre de forma efusiva. Foi fantástico”, refere.

O guarda-redes José Moreira, do Estoril, é um dos futebolistas em atividade que viu Luisão chegar ao Benfica, em 2003, e garante que há um lugar na história para Luisão, a dias dos seus 500 jogos pelo clube.

Em declarações à Agência Lusa, o agora estorilista, que representou o Benfica entre 1999/2000 e 2010/2011, desfia as suas memórias desse verão de 2003, recordando a “chegada imponente de um central com um físico enorme” e que soube resistir às críticas iniciais, apesar de Luisão até se ter estreado com um golo, num empate (3-3) diante do Belenenses.

“Era um central que vinha de uma grande equipa brasileira [Cruzeiro], um central com uma imponência física enorme e que, infelizmente, não começou bem. Recordo-me de que teve algumas lesões e as pessoas – entre aspas – não gostavam muito dele, mas ele trabalhou, lutou e veio a mostrar ao longo destes anos todos o quão bom central e ser humano é”, afirma o guardião, de 34 anos.

Os 36 anos que Luisão hoje completa são também o testemunho da fidelidade do jogador ao clube e da presença que o seu passado já projeta no futuro do Benfica: “Decerto que vai ficar na história do Benfica e do futebol português, como é óbvio. Todos estão satisfeitos com o trabalho dele”.

Porém, Moreira sublinha que é prematuro falar do impacto de Luisão na história dos encarnados, já que o defesa brasileiro continua a escrever essa história jogo após jogo.

“De que maneira vai ficar na história, só um dia mais tarde se vai saber. As histórias estão no museu e ele ainda está dentro de campo, portanto, ele ainda está a fazer a história dele”, realça.

Para o guarda-redes do Estoril, já é, no entanto, “óbvio” que o central internacional brasileiro “deixa um legado importante, um legado pesado”.

“De certeza que quem assumir esse cargo vai estar tão bem preparado quanto ele. Sei que ele, neste momento, está a tentar ensinar os jovens para quando chegarem à posição dele poderem desempenhar tão bem a função como ele desempenha”, acrescenta o antigo guardião do Benfica.

Muito mudou nos percursos do Benfica e do próprio Moreira. Apenas Luisão permaneceu no seu lugar desde 2003, sendo hoje uma expressão de uma outra era do clube, como o guarda-redes assinala numa história que ambos partilharam.

“Na altura em que ele chegou, o Benfica estava a construir o novo estádio e treinávamos em Massamá. Recordo-me que ele ia com o preparador físico subir ‘n’ vezes as escadas. Nós estávamos a treinar e ele andava a subir e descer escadas. Se calhar, também foi isso que o deixou mais preparado para conseguir vencer”, recorda.

Luisão deverá completar a marca dos 500 jogos pelo Benfica na terça-feira, diante do Borussia Dortmund, para a primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões.

Com esse registo, o central – que já é o quarto jogador com mais partidas – entra numa restrita galeria de ‘históricos’ da Luz, na qual figuram o recordista Nené (578 jogos), António Veloso (535) e o malogrado Mário Coluna (518).

O ex-futebolista brasileiro Geovanni tem quota-parte na contratação de Luisão pelo Benfica, quando em 2003 o treinador Jose Antonio Camacho e o agora presidente Luís Filipe Vieira lhe pediram a opinião em relação ao central.

Geovanni, mais velho, tinha jogado com Luisão no Cruzeiro e conhecia-o desde os juniores, pelo que a resposta foi clara: “Disse que ele era um grande jogador, que ia fazer história, que seria uma belíssima contratação”.

“Tinha acabado de sair do Cruzeiro e o pessoal, o Pepe [Carcelén], o Camacho e também o presidente o Luís Filipe [Vieira] perguntou-me como ele era”, lembrou à Lusa o extremo, que tinha chegado na época anterior ao Benfica.

Dois anos mais velho do que Luisão, Geovanni passou – pelo papel que teve – a ser visto imediatamente como um “pai” do central, situação que provocava vários episódios entre o grupo treinado por Camacho.

“Quando ele ficava um pouco nervoso nos treinos, os jogadores diziam, Geovanni vai lá que o teu filho está nervoso, para acalmá-lo. Imagine eu, deste tamanho, ter que acalmar o Luisão. Foram vários momentos assim, ele nervoso, eu a ter chegar ao pé dele, dar um jeito de o ‘dobrar’, para ele ficar mais tranquilo”, contou o ex-jogador.

Desses tempos, ficou uma grande amizade, de irmão, como diz Geovanni, entre os dois brasileiros, muitas vezes juntos nas concentrações da equipa de futebol do Benfica, em que aproveitavam para ver filmes e comerem pipocas.

“O Luisão para mim é um grande amigo e, acima de tudo, um grande líder, um grande ‘capitão’, uma grande pessoa. Sempre acreditei no potencial dele. Apresentava grande qualidade desde jovem”, reconhece o antigo extremo.

A chegada do central aos 500 jogos pelo Benfica, desde que chegou em 2003 até à presente época — apenas atrás de Nené, (575 jogos), Veloso (538) e Coluna (525) – é assinalada como uma entrada para a história do clube.

“Chegar aos 500 jogos num clube é realmente uma marca histórica e ao mesmo tempo um sonho de todo o jogador em representar um grande clube da Europa, praticamente viver a vida toda representando um clube tão grande como o Benfica”, justificou.

Um momento que, segundo pensa Geovanni, colocará ainda mais Luisão na história do clube e deixará o central muito feliz.

Katsouranis, à semelhança de todos os outros faz muitos elogios Luisão.

“Luisão é o Benfica. Cada dia trabalha sempre mais e é por isso que ainda joga ao mais alto nível. Não é normal um jogador chegar aos 500 jogos por um clube, é fantástico! Foi importante para mim ter jogado ao lado dele”, refere o grego

O central brasileiro cumprirá o 500.º jogo pelo Benfica se for utilizado por Rui Vitória na terça-feira, na receção aos alemães do Borussia Dortmund, em encontro da primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões.

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