Luís Filipe Vieira – A entrevista ao jornal “A Bola”

luis_filipe_vieira_2Como tem sido habitual no início de cada ano civil, o presidente do Benfica Luís Filipe Vieira deu uma entrevista sobre o estado do clube, o que foi o ano anterior e o que se espera para o ano novo e futuro do clube.

O espaço foi uma vez o jornal diário “A Bola” referência nacional e internacional no mundo do desporto e em particular do futebol.

Vários são os tópicos abordados, como a marca “Benfica”, a necessidade de ser ativo no mercado de transferências, a formação e as relações com as diversas entidades que giram em torno do fenomenal desporto que é o futebol e toda a sua indústria.

Aqui pode ler o que de importante foi falado e as respostas do presidente que interessa saber:

— Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016?

— O momento em que ficou claro que valeu a pena apostar na formação, trabalhar com uma equipa focada no êxito do Benfica e nunca desistir ou deixar que nos dividissem. Fatores que nos levaram à conquista do tricampeonato de futebol e a bons resultados nas outras modalidades. Naturalmente, que também, como português e amigo do Fernando Santos, vibrei com a conquista do Europeu de Futebol em França.

E a situação mais desagradável?
— Sempre que os resultados ficam aquém do trabalho que realizamos.

— O Benfica acabou o ano de 2016 mais forte do que tinha acabado o ano de 2015?

— Espero que volte a fazer-me a mesma pergunta em 2017. Será sinal que voltámos a fazer as apostas certas, a trabalhar no bom sentido e a ter resultados. Significará que essa ideia existe e perdura. Mas é bom recordar que há um ano tinha existido uma mudança no topo do futebol do Benfica e hoje existe uma maior estabilidade, pelo que é natural uma melhoria nos resultados.

— Porquê?
— Porque aprendemos com as dinâmicas de cada ano e trabalhamos focadas no êxito do Benfica, mas, sempre preservámos a nossa privacidade e sempre procurei resguardar a família como sempre dizemos, o importante não é como começamos ou estamos num determinado momento, mas como acabamos.

— Até que ponto ser presidente do Benfica já se confunde com quem é o Luís Filipe Vieira?
— Nunca fiz essa confusão. Desde que iniciámos o caminho de resgatar a credibilidade do Sport Lisboa e Benfica que ficou claro que nada é mais importante que a instituição. O Benfica é maior do que quem, em cada momento, está na sua liderança. Confundir isso é um erro básico sem sentido, de quem só se gosta de ver e de ouvir.

— A sua família já está habituada a esta situação e a um mediatismo que por vezes está longe de ser agradável?
— Muito do que foi feito só foi possível com o apoio e a compreensão da minha família como em qualquer atividade intensa, o que mais custa são as ausências. Mas por outro lado, sempre soubemos preservar a nossa privacidade e sempre procurei resguardar a família.

— Tem falhado alguns jogos do Benfica, especialmente fora. Como é que vai de saúde?
— Felizmente estou bem de saúde. E as poucas vezes em que não pude acompanhar a equipa, teve a ver maioritariamente com opções relacionadas com compromissos de
gestão relacionados com o Benfica.

— O que está ainda por fazer no Benfica?
— Uma instituição como o Sport Lisboa e Benfica, com o seu passado, com a sua relevância social e global e com a vitória no seu ADN, tem sempre muito por fazer. Por exemplo, fazer história com a conquista do tetra no futebol, continuar a internacionalizar a marca Benfica como referência desportiva global, aprofundar as potencialidades da formação nas várias modalidades e escalões, onde se inclui o alargamento do Caixa Futebol Campus, reforçar a nossa sustentabilidade financeira continuando o crescimento das receitas e diminuindo
gradualmente o nosso défice, lançar uma nova geração de infraestruturas.

— Vão meter mãos já em 2017 a esses projetos?
— Na sua grande maioria, sim.

— Trata-se de uma nova geração de apostas estruturais. O que pretende com isso?
— O grande legado que quero deixar é que quero que o Benfica ganhe tamanha dimensão que seja impossível voltar para trás. Quem que no futuro, independentemente dos meus sucessores, pela estrutura criada, o Benfica continue a ser permanentemente gerido de uma forma empresarial e sempre por profissionais.

— Qual a importância de poder vir a ser o presidente do primeiro tetra?
— A importância é para o Benfica e para os benfiquistas porque é fazer história. O que para um clube desta dimensão é obra. Para o presidente é uma colheita das sementeiras que temos feito. Para colher há que ter semeado antes. Alguns acham que pode haver resultados sem trabalho. A realidade desmente todos os dias essa visão. A acontecer, o tetra consolida percorrer o padrão desportivo do Benfica. Ganhador e com um projeto de olhos postos no futuro com aposta numa escola com a sua própria identidade e numa formação em permanente evolução.

— Há quem diga que o Benfica deixará de ter necessidade de vender jogadores para equilibrar a balança financeira. Quando estima que surja esse equilíbrio?
— Nunca afirmámos isso, pelo contrário. Num contexto de concorrência nacional, até talvez seja possível no curto prazo, mas numa vertente de concorrência europeia, isso não é possível. Para competirmos contra os melhores e maiores, temos de ter capacidade de atrair e reter atletas não só de elevados padrões desportivos, mas também económicos. Ora o mercado português não permite gerar receitas suficientes para pagar salários elevados. E por isso, precisamos de continuar a ganhar dinheiro com algumas transações de atletas.

— No inicio da época numa entrevista, anunciou desejar «baixar a dívida para 200 milhões de euros». Como o pretende fazer?
— Com um exigente e rigoroso controlo financeiro, sabendo que a Benfica SAD gera por ano uma receita já superior a 200 milhões de euros, o que conciliando com os resultados das equipas desportivas, valorização de ativos e com o sentido de oportunidade para potenciar a marca Benfica em Portugal e no Mundo, permite que ano após ano e de forma equilibrada se vá reduzindo o passivo, de maneira a atingir o objetivo de o baixar para o equivalente a um ano de faturação.

— Na última entrevista que deu à TVI disse, sobre a renegociação do contrato com a NOS: «Estamos felizes com o contrato que temos mas se tivermos de percorrer o caminho da clarificação de algumas das coisas combinadas vamos percorrê-lo.» O que mudou entretanto?
— Estamos a trabalhar em sintonia com o que dissemos.

— Mas é verdade que enviaram uma carta à NOS a contestar os valores tendo em conta o acordo assinado com o Sporting?
— É verdade que tem havido correspondência trocada entre as partes.

— Tem viajado com frequência para a China. Qual o objetivo?
— O de sempre. Reforçar a marca Benfica como referência desportiva global.

— Pode entrar um investidor chinês na SAD?
— Quando e se houver novidades, os benfiquistas saberão. Estas questões não se tratam na praça pública. De uma coisa podem os benfiquistas e os investidores estar certos: a relevância do nosso passado, do caminho percorrido e dos resultados alcançados e a nossa estabilidade, são ativos que nos permitem não precisarmos ou dependermos de um qualquer investidor em especial.

— Há uma real hipótese chinesa para o naming do Estádio da Luz?
— Quando e se houver novidades, os benfiquistas saberão.

— Como ficou a sua relação com Rui Gomes da Silva?
— Na mesma. Ótima. Somos amigos. O Rui contribuiu para o caminho que percorremos e continuará a contribuir. Tenho orgulho no seu contributo e ele continua entre nós.

— Como avalia o desempenho da Direção da FPF?
— Como corolário do trabalho dos clubes. Esta é a Federação Portuguesa de Futebol que, presidida com muita qualidade pelo Dr. Fernando Gomes, criou condições para que Portugal seja Campeão da Europa de futebol. O que conseguimos em França não caiu do céu. É o resultado do trabalho de uma liderança na FPF reconhecida internacionalmente e do extraordinário trabalho do selecionador nacional Fernando Santos.

— E o que pensa da Direção da Liga de Clubes?
— O resultado da soma dos clubes será tanto melhor quanto maior for a disponibilidade destes em não se constituírem em obstáculos à afirmação do futebol como fenómeno desportivo de massas com grande importância para a economia do País e para a afirmação dos clubes e do País. Partilhamos com a Liga de Clubes esse esforço de credibilização e de afirmação do futebol português, nem sempre concordando com tudo, mas sempre pautando as nossas intervenções com espírito crítico construtivo e respeitando os protagonistas e as instituições do futebol. Também aqui infelizmente, temos registado silêncios e várias velocidades da justiça, perante comportamentos e atitudes que nada têm contribuído para a credibilização do futebol, que ficaram sem a devida e adequada resposta da Liga de Clubes.

— Têm-se ouvido muitas queixas da arbitragem, por parte dos principais rivais do Benfica. Como analisa essa questão?
— Vamos a factos concretos: o Benfica, esta época, com o Setúbal e o Marítimo, foi prejudicado por erros de arbitragem com reflexos diretos nos resultados. E penalties claros, nem se fala. Basta lembrar o último jogo com o Rio Ave. Mas como um conhecido comentador disse, a diferença é que o Benfica resolve esses problemas ganhando mais vezes. No deve e no haver, as queixas que oiço por aí só têm um objetivo, o de condicionar os árbitros e desviar as atenções de sucessivos maus resultados. Nas competições europeias também foram os árbitros portugueses? Sente-se mesmo uma campanha de condicionamento criando uma ideia, que depois quando tudo analisado, nada tem a ver com a realidade concreta do balanço das arbitragens.

— E como analisa aqueles que assumem que têm a melhor equipa portuguesa? O Benfica é o melhor porque está à frente?
— O que eu não tenho dúvidas e o que pretendemos é que o Benfica seja a mais humilde, determinada e ambiciosa equipa em todos os jogos. Quanto ao resto, no fim é que se fazem as contas. E nesta casa há muito que existe um conjunto de princípios que sabemos serem o caminho para o sucesso: trabalho, muito trabalho, respeitar todos os adversários por igual, pouca conversa e juntos somos mais fortes.

— Está com o seu castigo de dois meses suspenso por uma decisão do TAD. Muitos benfiquistas dizem ser incompreensível que só no seu caso tenha existido uma decisão célere do CD da FPF. Como comenta?
— Começa a ser estranho que a justiça seja muito célere nuns casos, e ainda bem, mas noutros exista como que um apagão. Processos que vêm desde o ano passado ou atuais não existem quanto a alguns protagonistas. E para quem assista à distância, ver o castigo que me queriam aplicar por umas pretensas palavras em ambiente privado, comparando com aquilo que se ouve todos os dias, de acusações públicas a tudo e todos levantando suspeitas e nada acontece, deixa naturalmente perplexas as pessoas. Lamento porque tudo isto só descredibiliza essas entidades. Mas apesar de tudo, com a entrada neste novo ano, espero que se cumpra aquela máxima, ano novo vida nova com justiça célere para todos.

«Ainda bem que o ridículo não mata»

Suspeitas levantadas pelo presidente do Sporting chutadas para canto: «Só o Benfica interessa»

— Bruno de Carvalho disse numa entrevista recente que «o presidente do Benfica está obcecado com o Sporting». Isto corresponde à realidade, está mesmo obcecado com o Sporting?
— A realidade fala por si. A realidade desmente essa conversa. A nós, só o Benfica nos interessa.

— As críticas do Sporting à arbitragem no derby fazem sentido?
— Pelo que sei, fazem parte de um padrão de comportamento, não decorrem de um resultado, mas da falta deles. A nós, acredite, só o trabalho do Benfica nos importa.

Para acabar com o ruído, kits Eusébio passaram a ter apenas a camisola e `voucher’ para o museu

— Ainda a questão dos vouchers: quanto é que o Benfica realmente gastou com os kits que foram oferecidos? Quantos foram realmente utilizados?
— As cortinas de fumo têm sempre um problema é que se esfumam e a realidade fica à vista de todos. Esta teve um objetivo, não foi conseguido. A Liga (ndr: através da Comissão de Instrução e Inquéritos), a Federação Portuguesa de Futebol (ndr: por via do Conselho de Disciplina) e a UEFA (ndr: mais recentemente por decisão de um Instrutor do seu Comité de Disciplina) não encontraram quaisquer indícios da mínima irregularidade reconhecendo que a oferta do kit Eusébio com os ditos vouchers são uma mera cortesia. Sabe, ficamos com a ideia de que estamos todos errados e só há um iluminado que está certo e se arvora em justiceiro num estilo já bastante desgastado. Mas sobre este assunto falaremos em definitivo depois de todas as instâncias jurisdicionais se pronunciarem definitivamente.

— Os kits Eusébio continuam a ser oferecidos aos árbitros? Com ou sem voucher?
— É lamentável e triste achar que alguém podia ser condicionado por uma mera oferta de cortesia. Continuam a ser oferecidos, mas tendo nós percebido que após o ruído sensacionalista gerado com os vouchers a utilização destes podiam causar algum incómodo – razão pela qual creio, na última época nenhum foi utilizado – neste início de época entendemos fazer incluir no kit Eusébio somente um voucher para visita do Museu Cosme Damião.

— Nas suas mais recentes intervenções tem vindo a apelar a uma maior moderação. Porquê?
— É necessário defender o prestígio do futebol português. Um prestígio reconhecido internacionalmente! Chega a ser chocante ver alguns protagonistas quererem, a todo o custo, manchar a nossa imagem, até lá fora. Portugal tem muitos dirigentes de qualidade reconhecida, tem muitos treinadores de excelência e jogadores de topo, que vão desde o Ronaldo até às mais recentes descobertas de jovens já com classe mundial. Perante este quadro, procurar denegrir este trabalho e esta indústria não faz qualquer tipo de sentido. O País orgulha-se do trabalho que os clubes e as seleções têm feito. Querer manchar todos os dias este mundo só por necessidade de sobrevivência é absurdo e destrutivo. Pelo contrário, construtivo é contribuir com propostas concretas e dar o exemplo com as suas atitudes.

— Rui Vitória tem mais ano e meio de contrato. A renovação já está em marcha?
— A satisfação pelo trabalho realizado e pelos resultados conquistados tem sempre futuro.

— Pressentia que o treinador conseguisse tanto sucesso logo na primeira época de Benfica?
— Não foi pressentimento, foi convicção a partir da personalidade, humildade e capacidade de trabalho em sintonia com o projeto desportivo e de gestão do Benfica, que encontrei desde a primeira hora em Rui Vitória.

— Como é a relação com o treinador, de cumplicidade ou simplesmente profissional?
— Somos amigos. A sintonia e a partilha de objetivos em favor de uma instituição com a relevância do Sport Lisboa e Benfica só é possível quando existe disponibilidade para deixar os egos de parte. Só a cumplicidade consegue superar as dificuldades e os obstáculos que são colocados. O Rui é uma excelente pessoa, um grande treinador, um senhor do futebol que se distingue pelo trabalho, pela atitude e pelos resultados. E no início a forma como soube afirmar-se, foi desde logo a melhor demonstração da boa escolha que fizemos.

— A reformulação do departamento clínico está em estudo? Houve várias reuniões no início da época para perceber o problema de tantas lesões em simultâneo. A que conclusões chegaram?
— Confiamos totalmente na nossa estrutura e equipa médica. Que ano após ano têm dado uma cabal resposta. A verdade é que com ou sem lesões, e temos que analisar e diferenciar caso a caso o que se passou, era impossível estar em melhor situação na tabela classificativa. No fundo se algo sobressaiu nesta fase, foi o mérito da gestão dos recursos do plantel por parte da nossa equipa técnica.

— Que se passou realmente com a lesão de Jonas: operado a 11 de agosto, voltou a jogar 15 dias depois (na Madeira) e de seguida parou e só regressou agora?
— O Jonas regressou e bem. As lesões são como as pessoas, não são todas iguais e algumas precisam de mais tempo do que outras. O caso do Jonas infelizmente pode acontecer a qualquer um de nós. Agora, felizmente essa questão foi ultrapassada e para alegria de todos os que gostam do futebol, Jonas aí está de novo.

— E quanto a renovações de jogadores? Ederson, Lisandro López…
— O Benfica cuida bem dos seus ativos e assim continuará. Defender os interesses do Benfica e dar confiança e estabilidade aos atletas faz parte da nossa forma de funcionar. Pela sua qualidade, é natural que exista sempre muito interesse pelos jogadores do Benfica. É uma questão natural nesta casa. Agora cada coisa a seu tempo.

— Luisão está no último ano de contrato. Vai renovar?
— O Luisão foi, é e será sempre uma referência no Sport Lisboa e Benfica. Tem sido o meu companheiro e amigo desta caminhada. E existe uma perfeita sintonia entre nós. Neste momento, essa é uma não questão porque Luisão é um símbolo do nosso clube.

— Esperava que Luisão continuasse a ter tanta influência na equipa como tem apresentado?
— Luisão mantém a mesma influência hoje como no passado. As referências com a experiência ainda contam mais.

— Jardel foi o jogador mais utilizado no Benfica em 2015 /16. Esta época tem somente 270 minutos. Isto teve a ver com problemas físicos ou jogador ficou aborrecido por não ter sido transferido no verão?
— Os profissionais como o Jardel não se condicionam por estados de alma. Jardel está de regresso e é mais um para atacarmos o que falta para a conquista do ambicionado tetra.

— Perspetiva alguma venda importante para janeiro? Fala-se em Lindelof, Grimaldo, Nélson Semedo, Ederson, Gonçalo Guedes?
— Nunca fechamos os olhas a uma boa oportunidade de mercado que conjugue a defesa do interesse do Benfica com a vontade do atleta.

— Há propostas para saídas em cima da mesa?
—As nossas mesas são sempre muito diversificadas e dinâmicas.

— Lindelof está ou não negociado para sair já?
— O Lindelof é jogador do Benfica, com contrato e cláusula de rescisão. Vamos esperar.

— Ederson tem sido seguido pelo Manchester City. Pondera perder o guarda-redes?
— Já reparou que o tricampeão nacional entrou na nova época com poucas vendas? Nas perguntas que me fez já vendeu mais de metade da equipa, quando o treinador até agora, não teve disponíveis muitos jogadores. Neste momento não estamos disponíveis para vender mais nenhum jogador, exceto como é óbvio, caso surja uma proposta que sirva os interesses do Benfica e do atleta de forma inequívoca.

— Qual é o jogador de quem mais se orgulha neste plantel?
— Todos os que, com profissionalismo e amor ao Benfica, têm dado um contributo para chegarmos onde chegámos.

— Hermes, lateral esquerdo que chega nos próximos dias, pode ser o sucessor de Grimaldo?
— O Hermes é um reforço, uma alternativa, se não fosse para somar não vinha para o clube.

— Prevê-se mais alguma contratação neste mercado de inverno? Fala-se em Seferovic…
— Não temos necessidade de comprar, mas nunca fechamos os olhos a uma boa oportunidade de mercado.

— Houve algum jogador que Rui Vitória tenha pedido que não tenha conseguido contratar?
— Estamos sintonizados com o treinador. As coisas não funcionam assim, entre partes, somos uma unidade. É por isso que não nos dividem e as coisas correm bem.

— Como avalia o rendimento de Carrillo esta época? Confirma que houve propostas para o poder vender no verão?
— Quantas vezes chegaram jogadores ao Benfica que não explodiram de imediato? O Carrillo é um bom jogador. Mais tarde ou mais cedo vai voltar a demonstrá-lo.

— Zivkovic foi contratado como grande promessa do futebol sérvio mas ainda não apareceu na equipa. Esperava mais dele?
— O Zivkovic é um talentoso jovem internacional que nos irá dar muitas alegrias.

— Como resolver a situação de Taarabt? E de Bilal Ould-Chikh?
— Como fizemos com outros no passado, resolvendo-os. Só quem não tem de decidir é que não corre riscos.

— Danilo está por empréstimo. Equaciona a aquisição do passe?
— Danilo é um bom jogador mas essa avaliação será feita no momento oportuno.

— Dortmund é o adversário na Liga dos Campeões. Até onde acha que pode ir este Benfica nesta prova?
— Atingimos o primeiro objetivo que foi superar a fase de grupos. Mas a nossa ambição é a de sempre. Ir o mais longe possível e entrar para ganhar sempre. E são vitórias importantes, tanto para o Benfica como para Portugal, que precisa de pontos para manter a sua posição no ranking da UEFA.

— Há muito que ambiciona levar o Benfica a uma final da Champions. Este plantel tem potencial para isso?
— Não falta ambição nem engenho a um plantel que, com várias lesões, consegue chegar a este momento na liderança do Campeonato, na Taça de Portugal, na Taça da Liga e nos oitavos de final da Liga dos Campeões…

«Nas modalidades estamos satisfeitos mas queremos mais»

— Está satisfeito com o rendimento desportivo de modalidades como o basquetebol, o voleibol e o andebol?
— Globalmente é bastante positivo o balanço que faço das modalidades, não esquecendo que ganhar é sempre o objetivo do Benfica. Foi um ano marcado pela presença em cerca de uma dezena de supertaças, temos o Benfica a lutar na Europa nas mais diversas modalidades, desde o basquete, vólei, hóquei entre outras, e tivemos a maior delegação de atletas do clube em Jogos Olímpicos. Estamos satisfeitos com o trabalho e a entrega dos dirigentes, dos treinadores e dos atletas, mas nesta casa queremos sempre mais. Agora também aqui repetimos a máxima, apostar na formação.

«Mais 29 quartos no Seixal»

Luís Filipe Vieira está de olhos postos no futuro e sente que as infraestruturas do Seixal estão a tornar-se insuficientes para as necessidades estratégicas do Benfica. E projeta, já para o ano que ontem arrancou, uma série de mudanças, a começar, segundo revela, «pelo alargamento do Caixa Futebol Campus, com a criação de mais áreas de trabalho e capacidade de alojamento». Ou seja, e concretizando, Luís Filipe Vieira aponta para «a ampliação do edifício, aumentando em mais 29 quartos e 58 camas a sua capacidade hoteleira, criando novos ginásios de manutenção e recuperação e aumentando a áreas de trabalho para todo o staff técnico, Benfica LAB e equipa médica».

«Mais quatro ou cinco campos»

Mas os melhoramentos não se ficam pela capacidade hoteleira. Luís Filipe Vieira fala em «aumentar muito a capacidade de espaços para treino, encontrando terrenos junto ao atual equipamento de forma a criar no mínimo mais 4 a 5 novos campos de treino». Segundo o presidente do Benfica «a expansão não ficará por aqui». «Para nós o Seixal terá de ser a fonte de riqueza de futuro do clube. Esta é a grande aposta do Benfica.»

«Haverá uma residência sénior para benfiquistas»

Há muito que Luís Filipe Vieira se preocupa com a situação de vida das antigas glórias do Benfica. Nos seus mandatos, tornou-se habitual ver as referências do passado a frequentar o camarote presidencial da Luz e em várias ocasiões marcantes na vida do Benfica foram convidados a viajar com a equipa. Isso aconteceu, por exemplo, nas finais da Liga Europa em Amesterdão e Turim, quando Vieira convidou todos os campeões nacionais pelo Benfica para assistirem aos jogos. Por isso não admira que o presidente encarnado coloque como prioridade a criação de uma residência sénior. «Outro projeto em que estamos a trabalhar, estando hoje a ser procurada e ultimada a escolha do terreno onde se vai localizar, será a criação da Residência Sénior. É um projeto de grande exigência técnica mas em que estamos muito empenhados.» Trata-se de uma forma de criar ou melhores condições de final de vida aos antigos jogadores, ou, pelo menos, garantir-lhes assistência médica na terceira idade. A rentabilização será feita com a abertura a benfiquistas que queiram eleger este espaço para passarem a fase final da sua vida. O espaço irá acolher cerca de 90 residentes.

«Parcerias com a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica»

Para obviar a falta de — equipamentos e potenciar a expansão do Benfica nas modalidades, Luís Filipe Vieira afirma: «já estamos a fazer parcerias com a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, de forma a que através do aluguer e gestão de equipamentos da comunidade, se esteja a alargar a nossa oferta e nos permita estar mais perto de mais jovens, uma área onde o crescimento da procura tem sido notável em algumas modalidades.»

«Vai nascer um Centro de Treino de Alto Rendimento»

Esta deverá ser a obra mais emblemática do presente mandato de Luís Filipe Vieira. Para fazer face às necessidades das modalidades de alta competição, que não encontram resposta nas atuais condições do clube nem nas estruturas públicas de apoio, o Benfica propõe-se avançar com ambição para um grande projeto estruturante. Diz Luís Filipe Vieira: «Estamos a fechar na Área Metropolitana de Lisboa, a licença de concessão de um terreno por direito de superfície por 70 anos, para a criação de um Centro de Treino de Alto Rendimento para as modalidades e também para o futebol, que pretendemos equipar com o que de mais avançado e inovador existe, naquele que vai ser mais um marco da afirmação do nosso projeto de futuro.»

«Projeto educativo ligado às escolas»

O âmbito social tem sido uma preocupação do líder encarnado e a Fundação Benfica é uma peça importante em tudo o que envolve essa vertente. Luís Filipe Vieira revela que «o trabalho da Fundação também continua a crescer de dia para dia» acrescentando estarem ainda «a desenvolver um projeto educativo ligado às escolas com visitas ao Museu Cosme Damião que conta com parcerias com diversas instituições e personalidades destacando-se, entre outros, a participação da Editora Leya, do Inatel, ACP, Barraqueiro e personalidades como Isabel Alçada ou Ana Maria Baptista.»

«Benfica Rádio e novo `site’»

O Benfica também vai pisar novas rotas na área da comunicação. O presidente diz como: «Gostaria de destacar dois projetos, o lançamento do novo site que na prática será toda uma nova plataforma digital, contributo decisivo para a aproximação aos milhões de sócios, adeptos e simpatizantes do SLB espalhados pelo mundo e a Benfica Rádio que completará e se integrará no conjunto de ofertas que o nosso clube oferece nos mais diversos meios.»

«Vai nascer na Baixa o Hotel Benfica»

Lisboa vive dias de crescimento turístico sem paralelo e a Baixa alfacinha está, todos os dias, a criar condições para alojar quem visita a capital de Portugal. Por isso, Luis Filipe Vieira vai avançar com um novo e ambicioso projeto, que explica da seguinte forma: «Tendo detetado a forte projeção da nossa loja no centro de Lisboa, estamos a pensar seriamente em construir o primeiro hotel temático do Benfica, aproveitando o nosso edifício histórico, com uma localização de excelência na Rua Jardim do Regedor, onde funcionou, em tempos, a secretaria-geral, numa altura em que Lisboa está em profundo crescimento como pólo de atração turística.

«Ligação em rede de todas as 290 Casas do Benfica pelo mundo»

Ao longo dos mais de treze anos que leva na presidência do clube da Luz, Luis Filipe Vieira sempre deu multa atenção às Casas do Benfica. No ano que agora começa, o investimento nesse setor tão caro aos sócios vai ser aprofundado, no sentido de uma rápida modernização. «Temos 290 casas em todo o mundo», diz Vieira. «90 Já estão uniformizadas quanto ao design e materiais no exterior e interior e ligadas em rede e com venda de produtos diferenciados para sócios e clientes. Mas este ano, o grande objetivo é a ligação em rede de todas as casas, para que em qualquer parte do mundo se passe a poder utilizar todos os serviços proporcionados pelo Benfica, permitindo que os benfiquistas estejam em permanente ligação e comunicação com o clube, para que se tome mais fácil, aquilo que mais gostaríamos — que para todos os milhões de adeptos e simpatizantes do Benfica passe a ser mais fácil e vantajoso ser sócio do Benfica.»

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